Os Estados Unidos anunciaram a redução de tarifas de importação sobre cerca de 200 produtos alimentícios. A medida envolve a retirada da chamada “taxa de reciprocidade” global, criada em abril, que incidia em 10% sobre países latino-americanos.
Apesar da redução global, continua em vigor a sobretaxa adicional de 40% aplicada exclusivamente a produtos brasileiros em julho. Com isso, tarifas que chegavam a 50% — combinação da taxa global com a sobretaxa — recuaram para 40% em itens como café, carne bovina, frutas e castanhas.
O governo brasileiro atribuiu a mudança, em parte, a interlocuções diplomáticas recentes, incluindo o encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos EUA em outubro e contatos entre o chanceler Mauro Vieira e autoridades norte-americanas.
Impacto nas exportações
Com a retirada da tarifa global, a parcela das exportações brasileiras para os EUA que fica isenta de sobretaxas subiu de 23% para 26%, o que equivale a cerca de US$ 10 bilhões. A mudança ocorre após um período de aumento do déficit comercial brasileiro com os EUA, que cresceu 341% entre agosto e outubro, no chamado “tarifaço”.
Setores afetados:
– Suco de laranja: a tarifa de 10% foi zerada, beneficiando um segmento avaliado em US$ 1,2 bilhão.
– Café: a alíquota caiu de 50% para 40%. O Brasil exportou US$ 1,9 bilhão em 2024, mas registrou queda de 54% nas vendas em outubro na comparação anual.
– Carne bovina e frutas: passaram de 50% para 40%, com ganhos considerados limitados enquanto a sobretaxa remanescente persistir.
Posição dos EUA
A administração norte-americana justificou a redução tarifária como medida para conter a inflação dos alimentos e equilibrar a oferta doméstica. As autoridades indicaram ainda que não planejam novas reduções no curto prazo.
Outras decisões recentes
Nas últimas semanas houve outras flexibilizações nas tarifas americanas sobre produtos brasileiros. Em setembro foram retiradas a taxa global e a sobretaxa de 40% sobre ferro-níquel e celulose. Também houve redução de 50% para 40% em madeira macia e serrada, e de 50% para 25% em armários, móveis e sofás, anunciada no início de outubro.
No caso da madeira e dos móveis, as reduções foram efetuadas com base na Seção 232 da legislação comercial dos EUA e aplicadas globalmente, sem alterar a competitividade relativa entre países.




