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segunda-feira, março 9, 2026

Eleitores do Equador rejeitam instalação de bases militares estrangeiras em referendo

Os eleitores do Equador rejeitaram neste domingo (16) as quatro propostas submetidas em consulta popular pelo presidente Daniel Noboa.

As questões consultadas incluíam a autorização para instalação de bases militares estrangeiras no país; a convocação de uma Assembleia Constituinte para reescrever a Constituição; o fim do repasse de recursos públicos para o financiamento de partidos; e a redução do número de parlamentares da Assembleia Legislativa de 151 para 73.

Com mais de 91% dos votos apurados, 60,65% dos participantes votaram contra a instalação de bases militares estrangeiras, enquanto 39,35% se manifestaram a favor.

A Constituição equatoriana vigente, promulgada em 2008, proíbe a presença de bases militares estrangeiras no território, medida que levou à saída de forças dos Estados Unidos da base em Manta em 2009. O presidente Noboa vinha defendendo a instalação de bases dos EUA como instrumento no combate ao narcotráfico e recebeu, no início de novembro, a secretária de Segurança Nacional dos EUA, Kristi Noem, em visita a Manta.

A proposta de convocar uma nova Assembleia Constituinte também foi rejeitada pela população. A consulta sobre a reescritura da Carta Magna recebeu 61,65% de votos contrários e 38,35% favoráveis.

A Constituição atual foi promulgada após a chegada ao poder do partido Revolução Cidadã, em 2007, com o governo de Rafael Correa, no contexto da chamada “marea rosa” de governos progressistas na América Latina.

Crise de segurança

O Equador, país de cerca de 18 milhões de habitantes, enfrenta nos últimos anos uma crise de segurança pública ligada a mudanças nas rotas do tráfico de drogas. Entre 2019 e 2024, o número de homicídios cresceu 588%, elevando a violência a níveis entre os mais altos da América Latina.

Desde 2021, o país tem registrado rebeliões, motins e confrontos entre facções do crime organizado. Menos de três meses após assumir a Presidência, Noboa declarou situação de conflito armado interno, classificou grupos criminosos como terroristas e ampliou a participação das Forças Armadas nas operações de segurança pública.

Organizações e relatórios apontaram, após essas medidas, aumento de denúncias de torturas, execuções e prisões arbitrárias no sistema penitenciário e no âmbito das operações de segurança.

Eleição e críticas

Após cumprir um mandato curto de 18 meses, Daniel Noboa foi reeleito presidente em fevereiro deste ano, em um pleito contestado pela oposição, que alegou irregularidades. Na campanha e no governo, Noboa afirmou prioridade no endurecimento do combate ao crime, estratégia que vem sendo comparada por analistas a modelos adotados em outros países da região.

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