50% dos envolvidos no tráfico de drogas não chegam ao ensino médio

A conclusão do ensino médio é realidade para apenas dois em cada dez entrevistados na pesquisa Raio-X da Vida Real, realizada pelo Instituto Data Favela (Cufa). Mais da metade dos participantes afirmou ter abandonado a escola antes do término do ensino médio.

O estudo ouviu 3.954 pessoas envolvidas com o tráfico de drogas em entrevistas presenciais realizadas nos locais de atividade entre 15 de agosto e 20 de setembro de 2025. As coletas ocorreram em favelas de 23 estados brasileiros.

Distribuição do nível de escolaridade declarada:
– Ensino médio completo: 22%
– Ensino médio incompleto: 16%
– Ensino fundamental completo: 13%
– Ensino fundamental incompleto: 35%
– Sem instrução: 7%

Ao responderem sobre o que fariam de diferente no passado, 41% indicaram que teriam estudado ou se formado.

Preferências por curso superior entre os entrevistados:
– Direito: 18%
– Administração: 13%
– Medicina/Enfermagem: 11%
– Engenharia/Arquitetura: 11%
– Jornalismo/Publicidade: 7%

A pesquisa aponta que entre 6 e 7 em cada 10 entrevistados não conseguem ganhar mais do que dois salários-mínimos por mês, relacionando a falta de acesso à educação e oportunidades de trabalho de qualidade com a baixa remuneração.

Arranjos familiares e vínculos
– 35% foram criados em famílias tradicionais.
– 38% em famílias monoparentais; desse grupo, 79% são lideradas por mães, segundo números do Censo Demográfico IBGE 2022.
A pesquisa identifica ampla diversidade de modelos familiares, com destaque para figuras femininas como mães, tias e avós.

Pessoas consideradas mais importantes pelos entrevistados:
– Mãe: 43%
– Filhos: 22%
– Avó: 7%
– Pai: 7%
– Não têm ninguém importante: 4%
– Sem resposta: 6%

Sonhos de consumo
O principal sonho declarado foi ter uma casa (28%). Outros 25% apontaram o desejo de comprar uma casa para a família, sinalizando preocupação com segurança patrimonial.

Por faixa etária, a intenção de comprar uma casa para a família ficou:
– 22 a 26 anos: 35%
– 27 a 31 anos: 27%
– Acima de 50 anos: 30%

Saúde mental
Os problemas mais citados foram:
– Insônia: 39%
– Ansiedade: 33%
– Depressão: 19%
– Alcoolismo: 13%
– Crises de pânico: 9%

Entre os que relataram ansiedade, 70% recebem até um salário-mínimo. A pesquisa também aponta aumento da ansiedade conforme sobe o nível de escolaridade; 72% dos que iniciaram o ensino superior e não concluíram relataram sintomas de ansiedade.

Motivos apontados para a entrada no crime incluem baixa remuneração, uso de álcool e drogas e violência doméstica, essa última citada por 13% dos entrevistados.

A pesquisa conclui que a vida no crime expressa a ausência de políticas públicas e desigualdades históricas que atravessam pessoas negras e moradores de favelas no Brasil.

Percepção sobre problemas do país
Ao serem questionados sobre os principais problemas do Brasil, os entrevistados indicaram:
– Pobreza e desigualdades: 42%
– Corrupção: 33%
– Violência: 11%
– Falta de acesso à educação: 7%
– Falta de acesso à saúde: 4%

Por fim, 68% responderam negativamente à pergunta sobre sentir orgulho da atividade que exercem, segundo os dados da pesquisa.

OUTRAS NOTÍCIAS

REDES SOCIAIS

6,686FãsCurtir
120SeguidoresSeguir
6,890InscritosInscrever
spot_img

VÍDEOS