A presidência brasileira da COP30 tem priorizado a implementação de medidas climáticas, mas a questão do financiamento das ações segue sem solução clara. A conferência em Belém provavelmente não deverá encerrar o debate sobre quem pagará as medidas necessárias para reduzir a temperatura global.
O tema do financiamento está sendo tratado de forma transversal nas negociações oficiais. Observadores internacionais, incluindo representantes de organizações socioambientais, acompanham as negociações no local.
O Acordo de Paris, firmado em 2015, definiu que países desenvolvidos devem prover recursos para que nações em desenvolvimento possam implementar medidas de mitigação e adaptação. Na COP anterior, realizada em Baku, foi estabelecida a meta de que grandes potências repassem US$ 300 bilhões anuais, de forma gradual, aos países mais pobres até 2035. Esse montante permanece distante da estimativa superior a US$ 1 trilhão considerada necessária para financiar adequadamente as ações climáticas globais.
No âmbito do Acordo de Paris, as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) devem ser revisadas a cada cinco anos. O Brasil apresentou sua atualização em 2024, durante a COP em Baku.
Entre as propostas em debate no texto conhecido como Mutirão Decision está a possibilidade de ampliar significativamente os recursos destinados à adaptação climática, incluindo uma sugestão de triplicar o financiamento para adaptação até 2030. Trata-se de uma das alternativas que vêm sendo discutidas para diversificar e aumentar as fontes de financiamento.
Relatórios e registros de eventos climáticos mostram que países do Sul Global têm registrado com frequência impactos extremos, como furacões no Caribe e ciclones no Sul do Brasil, e também apresentam elevados níveis de endividamento. Esses fatores agravam a necessidade de apoio financeiro externo sem aumentar ainda mais o endividamento desses países.
Na COP30, Brasil e Azerbaijão apresentaram o “Mapa do Caminho Baku a Belém”, iniciativa voltada a traçar uma rota para alcançar o objetivo de US$ 1 trilhão em financiamento climático. Havia expectativa de uma resposta sobre a viabilidade desse caminho até sexta-feira, 21/11.




