O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconheceu o ofício das tacacazeiras como patrimônio cultural do Brasil. A decisão inclui a elaboração de um plano de salvaguarda para proteger a prática e os saberes associados ao preparo do tacacá.
O tacacá é uma iguaria de origem indígena preparada com produtos da mandioca, tucupi, camarão seco e jambu. A receita é tradicionalmente preservada por mulheres chamadas tacacazeiras, cujos métodos e segredos são transmitidos entre familiares. As composições variam conforme o equilíbrio entre a alcalinidade da goma e a acidez do tucupi, além de temperos regionais como chicória, alfavaca e alho.
O plano de salvaguarda a ser desenvolvido pelo Iphan deverá contemplar ações de divulgação gastronômica, apoio à gestão de pequenos negócios, facilitação do acesso a matérias‑primas e melhorias nos pontos de venda.
Pesquisa e documentação
Para fundamentar o registro, o Iphan promoveu pesquisa e documentação da tradição em parceria com a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa). A equipe percorreu sete estados para mapear o processo produtivo, desde a compra dos ingredientes até a comercialização.
O dossiê apresentado ao Iphan descreve as tacacazeiras como detentoras de saberes específicos e responsáveis pela continuidade de práticas culinárias e formas de sociabilidade ligadas ao tacacá. O documento também registra o papel da transmissão passo a passo desses conhecimentos para evitar seu desaparecimento.
Histórico e atualidade
A comercialização do tacacá começou a ser registrada no final do século 19, durante a expansão urbana na Amazônia, quando mulheres passaram a vender alimentos nas ruas como estratégia de sustento. Ao longo do tempo, o prato ganhou variações regionais e contemporâneas, incluindo versões com caranguejo, com pipoca e opções veganas com palmito ou azeitona.
Atualmente, além das bancas tradicionais, o tacacá também é oferecido por aplicativos de entrega e em embalagens como isopor, práticas que têm sido tema de debate nas discussões sobre manutenção da tradição.
Financiamento
A documentação realizada pela Ufopa contou com apoio financeiro de emenda parlamentar do senador Jader Barbalho (MDB‑PA), destinada a viabilizar o levantamento que subsidiou a inscrição no Livro dos Saberes do Iphan.




