O aumento da obesidade no Estado e a circulação clandestina de canetas para emagrecimento, muitas trazidas pela região de fronteira, acendem alertas sobre a segurança do tratamento e a necessidade de acompanhamento profissional.
A Secretaria de Estado de Saúde (SES) reforça que terapias devem seguir diretrizes clínicas reconhecidas, já que produtos irregulares não passam por controle sanitário e podem representar risco à saúde.
Versões manipuladas, importadas sem registro ou vendidas em clínicas e redes sociais podem apresentar impurezas, toxinas ou contaminação bacteriana. A Coordenação de Vigilância Sanitária Estadual (Cvisa) classifica o uso desses materiais como potencialmente perigoso, capaz de provocar reações adversas, intoxicações e até óbitos. A Vigilância também recebe denúncias sobre comercialização irregular.
A obesidade figura entre as condições crônicas mais acompanhadas pela Atenção Primária à Saúde (APS) no Estado. O excesso de peso está associado a doenças como diabetes, hipertensão, dislipidemias e alguns tipos de câncer, que respondem por grande parte dos atendimentos no Sistema Único de Saúde (SUS).
Dados oficiais mostram crescimento expressivo da obesidade no país: segundo o Ministério da Saúde, a proporção de adultos com obesidade subiu 72% entre 2006 e 2023, de 11,8% para 24,3%. Em Mato Grosso do Sul, levantamento do SISVAN de 2024 avaliou 432.773 pessoas e apontou 32,76% com sobrepeso; 23,06% com obesidade grau I; 10,36% com obesidade grau II; e 5,99% com obesidade grau III. Apenas 25,94% apresentaram IMC considerado adequado.
Para enfrentar esse cenário, a SES publicou em 2024 a Linha de Cuidado do Sobrepeso e Obesidade (LCSO), documento voltado a melhorar processos assistenciais e promover mudanças estruturais, sociais e comportamentais. A LCSO está sendo implantada de forma progressiva, com ações integradas entre níveis de atenção e suporte técnico às equipes para fortalecer a rede de cuidado e ampliar o acesso a prevenção, promoção e tratamento.
O Ministério da Saúde informa que as canetas “emagrecedoras” ainda não foram incorporadas à rede pública por conta do alto impacto financeiro.
Entre as ações da rede de atenção à saúde estão promoção de alimentação saudável, educação alimentar, incentivo ao consumo de alimentos in natura e a criação de ambientes que favoreçam escolhas mais saudáveis. A SES ressalta que o tratamento da obesidade deve ser conduzido por profissionais habilitados e seguir protocolos clínicos reconhecidos. Medicamentos sem registro, manipulados em larga escala ou adquiridos sem prescrição são considerados ilegais pela Anvisa e representam risco grave à saúde.




