Alerta climático: S.O.S! Terra Chamando revela os riscos ao planeta

2023 foi marcado por recordes de temperatura que reconfiguraram o mapa do aquecimento global. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) registrou uma média global da atmosfera próxima a 15 °C, cerca de 1,5 °C acima da média considerada da era pré-industrial (início dos registros, por volta de 1850).

No Brasil, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) apontou média de temperatura de 24,92 °C naquele ano. Entre junho e dezembro de 2023, meses consecutivos bateram recordes em comparação com o mesmo período dos últimos 172 anos, segundo o serviço Copernicus do Observatório Europeu. Em pelo menos dois dias, as anomalias ultrapassaram a marca de 2 °C acima da média pré-industrial.

O aquecimento observado não se limita à atmosfera. Grande parte do calor adicional gerado desde a Revolução Industrial foi absorvida pelos oceanos, que vêm registrando também séries históricas de meses mais quentes. Apesar da grande massa de água, a capacidade de armazenar calor tem limites, e especialistas alertam para níveis de temperatura oceânica sem precedentes.

A principal causa desse aquecimento é a elevação acelerada de gases de efeito estufa na atmosfera. Atividades humanas — que incluem a queima de combustíveis fósseis, práticas agropecuárias, desmatamento, incêndios florestais, processos industriais e gestão de resíduos — aumentaram a concentração de dióxido de carbono, metano e óxidos nitrosos. Esse reforço do efeito estufa intensifica a retenção de calor no planeta.

As consequências já se manifestam em eventos extremos e impactos generalizados: derretimento de geleiras, temporais intensos, secas severas, perda de biodiversidade e degradação de biomas. Em 2024, episódios como as enchentes no Rio Grande do Sul e os incêndios no Pantanal e na Floresta Nacional de Brasília evidenciaram a combinação de condições climáticas adversas e ações humanas que agravam o risco. Incêndios subterrâneos, em particular, representam desafio operacional e fonte de fumaça tóxica difíceis de controlar.

As respostas envolveram mobilização de corpos de bombeiros, brigadistas e voluntários para combater as chamas e realizar resgates da fauna afetada. Ao mesmo tempo, iniciativas de restauração de florestas e medidas de adaptação são apontadas como necessárias para mitigar impactos futuros.

O último relatório climático das Nações Unidas ainda projeta que, neste século, as temperaturas médias globais podem subir até 3 °C, dependendo das trajetórias de emissões. Diante desse cenário, cientistas e organizações internacionais defendem reduções rápidas e profundas nas emissões, projetos de restauração em grande escala e ações para aumentar a resiliência das populações frente aos extremos climáticos.

O consenso técnico é que reduzir a velocidade do aquecimento e preparar sociedades e ecossistemas para os efeitos já em curso exige medidas urgentes e coordenadas em nível global.

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