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segunda-feira, dezembro 15, 2025

Brasil insiste em acordo para acesso à PrEP de longa duração contra HIV/Aids

O Ministério da Saúde informou, em evento realizado nesta segunda-feira (1º), que ampliar o acesso a novas estratégias e tecnologias de prevenção ao HIV é prioridade. Entre as demandas está a incorporação de medicamentos de longa duração ao Sistema Único de Saúde (SUS), medida que ainda não tem cronograma definido.

A atenção está voltada para o lenacapavir, produto da farmacêutica Gilead que ainda aguarda registro sanitário no Brasil. Trata-se de uma formulação injetável de longa duração, administrada a cada seis meses, destinada à Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) ao HIV. Estudos clínicos indicaram elevada eficácia do medicamento na prevenção da infecção.

O governo brasileiro participou de avaliações e estudos clínicos envolvendo a nova medicação e busca firmar parceria para transferência tecnológica. Uma versão genérica do fármaco anunciada este ano contemplará 120 países de baixa renda, mas exclui nações da América Latina, incluindo o Brasil.

Dados sobre preço também foram divulgados: a empresa propôs venda a aproximadamente 40 dólares a cada seis meses para países de renda muito baixa, enquanto o custo previsto nos Estados Unidos ultrapassa 28 mil dólares por pessoa ao ano.

A divulgação ocorreu durante o lançamento da campanha “Nascer sem HIV, viver sem aids” e da exposição que marca os 40 anos da resposta brasileira à epidemia. A mostra acontece no SESI Lab, em Brasília, e integra a programação do Dezembro Vermelho 2025.

Políticas de prevenção e tratamento

Ao longo das últimas décadas, a estratégia brasileira deixou de focar apenas na distribuição de preservativos e passou a incorporar ferramentas como PrEP e PEP. Para ampliar o diálogo com público jovem, o Ministério da Saúde adquiriu 190 milhões de unidades de camisinhas texturizadas e sensitivas de cada modelo.

O acesso à PrEP cresceu mais de 150% desde 2023. Atualmente, cerca de 140 mil pessoas utilizam a PrEP diariamente, segundo dados oficiais. Na dimensão do diagnóstico, o país comprou 6,5 milhões de testes duplos para HIV e sífilis — 65% a mais que no ano anterior — e distribuiu 780 mil autotestes.

O SUS oferece terapia antirretroviral gratuita e acompanhamento para todas as pessoas diagnosticadas com HIV. Mais de 225 mil pacientes utilizam o comprimido único que combina lamivudina e dolutegravir, esquema que concentra o tratamento em uma dose diária e melhora a adesão.

Esses avanços aproximam o Brasil das metas globais 95-95-95 (diagnóstico, tratamento e supressão viral). Duas das três metas já foram alcançadas pelo país.

Queda nas mortes e eliminação da transmissão vertical

O boletim epidemiológico do Ministério da Saúde registrou redução de 13% nas mortes por aids entre 2023 e 2024: foram pouco mais de 10 mil óbitos em 2023 e 9,1 mil em 2024. Esse é o primeiro ano em três décadas em que o número de mortes ficou abaixo de 10 mil. Os casos de aids também recuaram 1,5%, passando de 37,5 mil em 2023 para 36,9 mil em 2024.

O país apresentou, em julho, relatório à Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a eliminação da transmissão vertical do HIV como problema de saúde pública. A expectativa é de reconhecimento formal pela OMS ainda em dezembro. Caso confirmado, o Brasil será o maior país do mundo a obter essa certificação; outros países do continente americano que já alcançaram o marco incluem Chile, Cuba e Canadá.

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