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segunda-feira, dezembro 15, 2025

Lula e Trump discutem retirada de sobretaxa

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou nesta terça-feira (2) para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para tratar da retirada das sobretaxas aplicadas por Washington a produtos brasileiros e de cooperação no combate ao crime organizado. Segundo o Palácio do Planalto, a conversa durou 40 minutos e foi considerada produtiva.

Em 20 de novembro, a Casa Branca retirou 238 itens da lista de tarifas adicionais, entre eles café, chá, frutas tropicais e sucos, cacau, especiarias, banana, laranja, tomate e carne bovina. Ainda conforme o governo brasileiro, 22% das exportações do país para os EUA permanecem sujeitas a sobretaxas, contra 36% no início da aplicação das medidas.

O presidente brasileiro sinalizou a intenção de avançar rapidamente nas negociações para eliminar as tarifas remanescentes. As alíquotas extras fazem parte da nova política comercial dos EUA, iniciada por Trump, que aumentou tarifas com o objetivo declarado de recuperar competitividade frente à China.

No dia 2 de abril, o governo norte-americano impôs barreiras alfandegárias diferenciadas conforme o tamanho do déficit comercial com cada país; por ter superávit com os EUA, o Brasil recebeu inicialmente uma taxa mais baixa, de 10%. Em 14 de novembro, os Estados Unidos também excluíram determinados produtos agrícolas brasileiros dessas tarifas recíprocas. Em 6 de agosto, entrou em vigor uma tarifa adicional de 40% contra o Brasil, aplicada em retaliação a decisões que, segundo a administração norte-americana, prejudicariam empresas de tecnologia dos EUA e em resposta a um julgamento envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A decisão de revogar parte das tarifas foi influenciada pelo encontro entre Lula e Trump na Malásia, em outubro, e por contatos telefônicos posteriores, seguidos por negociações entre equipes técnicas dos dois países.

No front comercial, o Brasil busca avançar na retirada de novos produtos da lista tarifada. O governo considera que, apesar do alívio para o agronegócio, os setores industriais continuam como principal preocupação, especialmente segmentos de maior valor agregado ou produzidos sob encomenda, que têm dificuldade para redirecionar exportações a outros mercados. Também constam na agenda temas não tarifários, como terras raras, regulação de big techs, energia renovável e o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata).

As autoridades brasileiras informaram ainda que a pauta bilateral incluiu o fortalecimento da cooperação para o enfrentamento do crime organizado internacional. O governo federal reportou operações recentes destinadas a asfixiar financeiramente organizações criminosas e citou ramificações dessas redes atuando a partir do exterior.

Em matéria de controles financeiros, o Executivo apontou o uso do estado de Delaware, nos Estados Unidos, como destino de recursos suspeitos. A última operação mencionada pelas autoridades identificou o envio de R$ 1,2 bilhão para fundos em Delaware, em esquema relacionado a evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

Segundo o comunicado do Palácio do Planalto, a administração norte-americana se colocou à disposição para cooperar em iniciativas conjuntas de combate ao crime organizado. Ainda de acordo com o planalto, os dois presidentes concordaram em retomar as conversas em breve para acompanhar o andamento das medidas.

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