Projeto Navio: fortalecendo saúde e cidadania nas comunidades ribeirinhas do Pantanal

Projeto NAVIO leva atendimento e vigilância ao Tramo Norte do Pantanal

A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES-MS) ampliou serviços de saúde no Tramo Norte do Rio Paraguai por meio do Projeto NAVIO — Navegação Ampliada para Vigilância Intensiva e Otimizada. A iniciativa reúne assistência clínica, vigilância laboratorial e ações de educação em saúde para comunidades ribeirinhas com acesso limitado a serviços básicos.

O estudo é coordenado pela Fiocruz Minas e integra o Consórcio Internacional CLIMADE (Climate Amplified Diseases and Epidemics). Recebe financiamento do NIH (Estados Unidos), da OPAS/OMS e do CNPq. A entrada do projeto em Mato Grosso do Sul ocorreu por meio de articulação técnica entre a Fiocruz e a SES, com adesão de outros estados e apoio da Marinha, que operacionalizou o atendimento nas comunidades. Insumos laboratoriais foram fornecidos pelo Ministério da Saúde e as análises continuam sendo realizadas pelo Lacen.

A Coordenadoria de Saúde Única da SES articulou equipes de Odontologia, Lacen, Imunização, Telessaúde e Assistência Farmacêutica para garantir atendimento integrado em campo. A operação incluiu logística para medicamentos, vacinas, coletas e encaminhamentos.

Segunda expedição e atendimentos
Entre 23 de março e 14 de abril de 2025, a segunda expedição realizou atendimentos a mais de 460 moradores em comunidades como Barra de São Lourenço, Fazenda Amolar, Porto São Pedro, Paraguai Mirim, Domingos Ramos e em áreas urbanas de Corumbá.

Foram oferecidos acolhimento com classificação de risco, consultas clínicas e dermatológicas, acompanhamento de doenças crônicas, atendimento odontológico, vacinação, prescrição de medicamentos, entrega de resultados e encaminhamentos. Coletas laboratoriais permitiram exames como hemograma, glicemia, função renal e perfil lipídico por meio de plataforma de telediagnóstico.

Achados clínicos e laboratoriais
Foram identificados casos de sífilis, doenças dermatológicas recorrentes, infecções respiratórias e alterações metabólicas que demandam seguimento. Testes moleculares detectaram vírus respiratórios, incluindo vírus sincicial respiratório (VSR), rinovírus e influenza.

Vigilância ambiental e animal
O projeto também integrou ações de vigilância ambiental e animal, com coleta de água para análise de contaminantes, monitoramento de vetores e avaliação sanitária de animais domésticos e silvestres. Em função de resultados anteriores que apontaram contaminantes, foram distribuídos filtros de barro a famílias ribeirinhas para reduzir riscos no consumo de água.

Tecnologia e educação em saúde
A expedição incorporou modelos de inteligência artificial para interpretação de dados clínicos em tempo real e utilizou a plataforma REDCap para registro seguro e imediato das informações, ampliando a precisão das análises epidemiológicas.

Além do atendimento clínico, foram promovidas ações educativas sobre prevenção de doenças, qualidade da água, controle de vetores, convivência com a fauna local e impactos das mudanças climáticas na saúde.

Principais ações realizadas
– Assistência à saúde: consultas médicas e de enfermagem, classificação de risco, diagnóstico de doenças crônicas e dermatológicas, testes rápidos (sífilis, HIV, malária, leishmaniose, arboviroses), exames laboratoriais, diagnósticos sorológicos e moleculares, atendimento odontológico e vacinação.
– Vigilância laboratorial avançada: coleta e processamento de amostras humanas; análises para dengue, zika, chikungunya, febre amarela, HTLV e toxoplasmose; detecção de vírus respiratórios (Influenza A, rinovírus, VSR e MPV).
– Educação em saúde: rodas de conversa sobre prevenção, qualidade da água, controle de vetores e impactos climáticos.
– Distribuição de filtros de barro a famílias ribeirinhas.

Regionalização e continuidade
O Projeto NAVIO faz parte da estratégia de regionalização da saúde do Governo do Estado, com objetivo de ampliar o acesso a territórios isolados e fortalecer a resposta a doenças infecciosas e condições crônicas nessas áreas. A próxima etapa está prevista para começar em 1º de dezembro.

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