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quarta-feira, março 11, 2026

Casos de sífilis seguem crescendo em ritmo acelerado no país

Dados do Ministério da Saúde, divulgados em outubro de 2025, indicam que a sífilis segue em alta no Brasil, em linha com tendência global. Entre 2005 e junho de 2025 foram notificados 810.246 casos de sífilis em gestantes.

A distribuição regional desses casos concentra-se principalmente na Região Sudeste (45,7%), seguida pelo Nordeste (21,1%), Sul (14,4%), Norte (10,2%) e Centro‑Oeste (8,6%). A taxa nacional de detecção alcançou 35,4 casos por mil nascidos vivos em 2024, sinalizando avanço da transmissão vertical — quando a infecção passa da mãe para o bebê.

O controle da sífilis congênita é alvo de políticas públicas desde a década de 1980, mas os números permanecem elevados. Uma das dificuldades apontadas em documentos técnicos é a interpretação equivocada da sorologia no pré‑natal. No Brasil, o teste não treponêmico VDRL é o mais utilizado para rastrear a infecção e acompanhar a resposta ao tratamento, enquanto os testes treponêmicos permanecem positivos por toda a vida. Em alguns casos, um resultado treponêmico positivo e um VDRL negativo são assumidos como sinal de cicatriz sem indicação de tratamento, o que pode manter a circulação da bactéria entre parceiros e levar à reinfecção da gestante.

A falta de tratamento dos parceiros sexuais é outro fator que contribui para a manutenção da cadeia de transmissão. Além disso, mais de 80% das gestantes com sífilis apresentam forma latente e assintomática, o que dificulta a detecção sem exames adequados. Homens também têm alta prevalência de infecções assintomáticas; a lesão primária costuma ser visível no pênis, enquanto nas mulheres a úlcera pode ficar oculta no colo do útero ou no fundo da vagina, o que reduz a percepção da doença.

Na fase inicial, exames de sangue podem ainda estar negativos; a identificação direta do Treponema pallidum por raspagem da lesão é o método diagnóstico mais eficaz nesse momento. Em geral, a sorologia torna‑se positiva em duas a três semanas após a infecção.

Clinicamente, sem tratamento a sífilis pode evoluir para a fase secundária, caracterizada por exantema difuso que atinge palmas das mãos e plantas dos pés, alopecia de padrão irregular e lesões anogenitais conhecidas como condiloma plano. A fase secundária apresenta grande concentração de treponemas na corrente sanguínea; quando a gestante tem infecção recente, a chance de acometimento fetal pode chegar a 100%.

As faixas etárias com maior incidência atual incluem jovens entre 15 e 25 anos e também pessoas mais velhas, refletindo mudanças de comportamento sexual, redução do uso de métodos de barreira e maior atividade sexual na terceira idade. Episódios de grande aglomeração e festas, como o Carnaval, são periodicamente apontados como períodos de maior risco devido ao uso irregular de proteção.

Em resposta ao problema, sociedades médicas e serviços de saúde promovem capacitação sobre prevenção e tratamento de infecções sexualmente transmissíveis. A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) oferta cursos e materiais técnicos. O Ministério da Saúde mantém protocolo clínico e diretrizes terapêuticas para transmissão vertical de sífilis, HIV e hepatites virais, disponíveis publicamente.

Para o HIV existe profilaxia pré‑exposição (PrEP) oferecida no Sistema Único de Saúde, que reduz em mais de 90% o risco de aquisição quando usada corretamente, por via oral diária ou por injeções — recurso que não previne outras ISTs, como a sífilis.

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