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terça-feira, março 17, 2026

Projeto Ártemis investiga influência genética em pacientes pós-AVC

Um estudo coordenado pelo Hospital Moinhos de Vento (HMV) e financiado pelo Ministério da Saúde por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS) vai investigar a base genética de pacientes que sofreram acidente vascular cerebral isquêmico (AVC isquêmico).

O AVC isquêmico ocorre quando uma artéria cerebral é obstruída por um trombo ou êmbolo, interrompendo o suprimento de oxigênio e provocando morte de células cerebrais. Segundo o Ministério da Saúde, esse tipo de AVC responde por 85% dos casos registrados.

O projeto, batizado de Ártemis-Brasil, tem como investigadora principal a neurologista Ana Cláudia de Souza. A pesquisa pretende caracterizar fatores genéticos associados ao AVC e à resposta a tratamentos, com o objetivo de subsidiar estratégias de medicina de precisão no âmbito do SUS.

Participam do estudo 11 centros de referência para atendimento ao AVC, distribuídos por todas as regiões do país. São unidades de alta complexidade que atendem pacientes do SUS. O recrutamento já foi iniciado, com o primeiro participante incluído em novembro. A meta é atingir 1.000 participantes até o final de 2026: 500 pacientes que tiveram AVC isquêmico e 500 controles saudáveis, para possibilitar comparações entre grupos.

Nos últimos 20 anos, o tratamento agudo do AVC no Brasil avançou, em parte devido à atuação da Rede Brasil AVC e da Sociedade Brasileira de AVC. Essas iniciativas ampliaram o acesso no SUS a modalidades capazes de reabrir vasos cerebrais obstruídos, como a trombólise farmacológica, e, mais recentemente, a trombectomia mecânica por cateterismo cerebral, procedimento semelhante ao cateterismo cardíaco. Apesar dos progressos, há necessidade de expansão desses serviços em áreas com déficit assistencial, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.

O impacto do AVC no país é significativo. Dados da Rede Brasil AVC registram 85.427 mortes por AVC em 2024. Números de anos anteriores mostram 81.822 óbitos em 2021, 87.749 em 2022 e 84.931 em 2023. O Ministério da Saúde indica que o AVC segue como principal causa de morte e de incapacidade no Brasil, com uma média de 11 óbitos por hora.

As sequelas do AVC podem incluir perda da fala e da mobilidade, gerando impacto elevado sobre pacientes, famílias e o sistema de saúde, com custos substanciais para o SUS. Por isso, a prevenção — tanto dos fatores de risco como hipertensão, diabetes, tabagismo e maus hábitos alimentares, quanto de recorrência após o primeiro evento — é considerada prioridade.

O Ártemis-Brasil integra o Programa Genomas Brasil, iniciativa que busca aumentar a representatividade da diversidade genômica nacional em pesquisas. A lacuna de diversidade nos estudos globais compromete a formulação de políticas e práticas clínicas adequadas à população brasileira. Além da geração de conhecimento científico, o projeto contempla a capacitação de equipes do SUS em genética, aconselhamento genético e conceitos de medicina de precisão. Há ainda previsão de, conforme os resultados, ampliar a pesquisa a outros países da América Latina.

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