Pesquisas recentes indicam aumento de fatores de risco cardiovascular entre adultos jovens. Dados do National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES) mostram que, entre pessoas de 18 a 39 anos, 7,3% já apresentam hipertensão e 8,8% possuem colesterol alto. Ainda segundo o levantamento, 26,9% têm pressão arterial em níveis elevados e 21,6% apresentam colesterol em faixa limítrofe, muitas vezes sem diagnóstico.
O quadro de risco tem sido associado a hábitos de vida contemporâneos: sedentarismo, consumo elevado de alimentos ultraprocessados, jornadas longas de trabalho, uso de estimulantes (incluindo pré-treinos e energéticos), abuso de álcool, privação de sono e uso de esteroides anabolizantes. Estudos relacionam o uso de anabolizantes e outros estimulantes a maior incidência de doenças cardiovasculares, inflamação vascular, aumento da pressão arterial e risco de arritmias.
Pesquisas internacionais corroboram a tendência. Um estudo na Espanha registrou que cerca de 18% dos jovens adultos apresentaram pelo menos um dos seguintes problemas: pré-diabetes, hipertensão ou dislipidemia. Quase metade da amostra estava acima do peso ou era fisicamente inativa.
A detecção precoce de marcadores de risco é apontada como importante. Além da avaliação rotineira da pressão arterial e do perfil lipídico, existe exame específico para medir lipoproteína(a) — um marcador genético ligado ao risco de doenças cardíacas — que pode identificar predisposições hereditárias.
Especialistas epidemiológicos e cardiovasculares observam uma mudança na idade de aparecimento da doença aterosclerótica coronariana, com casos surgindo cada vez mais cedo, inclusive abaixo dos 30 anos. Esse deslocamento tem levado à recomendação de atenção médica e avaliações preventivas já na faixa dos 20 anos.
Medidas de prevenção amplamente referenciadas por guias de saúde incluem alimentação mais natural e rica em verduras, prática regular de atividade física (ao menos 150 minutos semanais de intensidade moderada a vigorosa), controle do peso, cessação do tabagismo, moderação no consumo de álcool e higiene do sono. A combinação dessas ações reduz a probabilidade de desenvolvimento precoce de doenças cardiovasculares.




