A integração entre saberes tradicionais e conhecimentos técnicos marcou a I Mostra de Experiências sobre Segurança Alimentar na Prática dos Agentes Indígenas de Saúde, realizada em Miranda. O evento reuniu agentes indígenas de saúde, profissionais do SUS e instituições parceiras para apresentar resultados de um projeto voltado à qualificação em atenção nutricional e manejo da obesidade entre a população Terena.
O projeto, intitulado “Alimentando Tradições, Cultivando Saúde: Capacitação Terena no Cuidado Nutricional e Manejo da Obesidade”, foi contemplado pela chamada Fundect/SEMADESC/SEAF n.º 12/2023. Teve início em 2024, desenvolveu ações ao longo de 2025 e encerrou suas atividades em dezembro de 2025, após um ano de implementação focada na formação dos Agentes Indígenas de Saúde (AIS) Terena.
A programação incluiu curso a distância, oficinas presenciais e ações comunitárias. As atividades utilizaram metodologias ativas e pautaram-se na construção coletiva do conhecimento a partir do olhar dos participantes sobre o território.
Foram lançados dois produtos resultantes do trabalho: o e-book “Resgatando os Saberes Tradicionais na Alimentação Indígena Terena”, com receitas e conteúdos em língua terena, e o documentário “Hîhi – Resgatando a Memória da Culinária Terena”, que registra práticas como o preparo tradicional do bolo de mandioca.
A mostra funcionou como espaço de troca de experiências e debate sobre estratégias para ampliar o cuidado nutricional nos territórios indígenas. O encontro ressaltou o papel dos AIS como atores centrais na promoção do cuidado integral e na segurança alimentar das comunidades.
A iniciativa foi realizada pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), por meio da Escola de Saúde Pública Dr. Jorge David Nasser e da Escola Técnica do SUS Professora Ena de Araújo Galvão, com apoio da gerência de Alimentação e Nutrição e parceria com a Associação Sul-Mato-Grossense de Nutrição (ASMAN).
No âmbito estadual, o projeto procurou responder a desafios de saúde pública, em um contexto marcado por alta prevalência de obesidade, carências nutricionais e pela presença de uma das maiores populações indígenas do país. As ações se alinharam às diretrizes da Política Nacional de Alimentação e Nutrição, com foco em segurança e soberania alimentar.
Ao combinar formação contínua, diálogo entre saberes e valorização cultural, a experiência desenvolvida em Miranda reafirmou a importância de reconhecer tradições locais como elemento estratégico para a construção de soluções sustentáveis em saúde alimentar.
Fonte: Secretaria de Estado de Saúde (SES)




