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sexta-feira, janeiro 16, 2026

Reunião da OEA sobre a Venezuela revela divisão política nas Américas

Países-membros da Organização dos Estados Americanos (OEA) se dividiram nesta terça-feira (6) sobre a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores. A reunião extraordinária do Conselho Permanente evidenciou forte polarização no continente.

Não foram realizadas negociações formais, nem foram publicados documentos ou tomadas decisões durante o encontro. Representantes de Estados-membros e observadores apresentaram manifestações individuais.

Governos alinhados aos Estados Unidos, como Argentina, Equador, Paraguai e El Salvador, defenderam a intervenção em Caracas. Em contrapartida, Brasil, Chile, Colômbia, México e Honduras se posicionaram contra a operação estadunidense, defendendo a preservação da soberania e a busca por soluções diplomáticas e multilaterais para a crise venezuelana.

A Venezuela, embora continue listada como membro da OEA, não teve representante autorizado a se manifestar na sessão. A relação entre o país e a organização permanece conflituosa desde 2017, quando o governo de Nicolás Maduro anunciou a saída da OEA. Após as eleições presidenciais de 2018, cuja legitimidade foi contestada por parte da comunidade internacional, a OEA deixou de reconhecer o mandato de Maduro e chegou a aceitar um representante indicado por Juan Guaidó. Com o enfraquecimento da oposição venezuelana, nenhum novo representante passou a ser reconhecido, deixando o país em um limbo institucional dentro da organização.

O secretário-geral da OEA, Albert Ramdin, evitou posicionamento direto sobre a ação dos EUA. Em sua intervenção, destacou a importância do multilateralismo e reafirmou a responsabilidade dos Estados-membros de respeitar o direito internacional e os princípios de soberania, não-intervenção e ordem constitucional. Ao mesmo tempo, manifestou apoio a iniciativas voltadas à transição democrática na Venezuela, como o fortalecimento institucional, assistência eleitoral e observação dos processos.

A sessão também refletiu a disputa por influência entre Estados Unidos e China na região. O embaixador norte-americano na OEA, Leandro Rizzuto, apontou a presença de Pequim e de outros atores estrangeiros como fatores de risco para o controle de recursos venezuelanos e para o equilíbrio regional. A representante chinesa na reunião rechaçou as acusações, defendendo que a cooperação entre China e Venezuela ocorre entre Estados soberanos e dentro dos marcos legais vigentes.

Ao fim do encontro, manteve-se a ausência de consenso entre os países, sem encaminhamentos práticos definidos pela OEA sobre a situação na Venezuela.

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