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segunda-feira, janeiro 19, 2026

Cidades do Ceará e de Minas Gerais começam vacinação contra a dengue com dose única

Maranguape (CE) e Nova Lima (MG) deram início a uma vacinação-piloto com a vacina de dose única contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. No total, serão distribuídas 204,1 mil doses entre as três cidades selecionadas: Maranguape (60,1 mil), Nova Lima (64 mil) e Botucatu (SP), que receberá 80 mil doses. O público-alvo nesta fase inclui pessoas entre 15 e 59 anos. Em Botucatu, a aplicação começa no domingo (18).

O acompanhamento dos efeitos da vacinação será realizado ao longo de um ano. Equipes de especialistas vão monitorar a incidência de dengue nas localidades e investigar a ocorrência de eventos adversos raros após a imunização. A metodologia usada lembra a adotada anteriormente em Botucatu para avaliar a efetividade da vacina contra a covid-19.

Caso os resultados sejam favoráveis, está prevista a produção em larga escala para abastecer todo o país. Até o momento, o Butantan produziu 1,3 milhão de doses. Antes da conclusão das análises, haverá vacinação de grupos prioritários com a chegada de novas remessas da Butantan DV. A imunização de profissionais da atenção primária à saúde — médicos, enfermeiros e agentes comunitários — está prevista para o início de fevereiro, com cerca de 1,1 milhão de doses destinadas a esse público que não foram aplicadas nesta etapa inicial.

A ampliação da vacinação também contará com transferência de tecnologia entre o Instituto Butantan e a empresa chinesa WuXi Vaccines. A estratégia é expandir progressivamente a cobertura para todo o país, começando por pessoas de 59 anos e avançando até o grupo de 15 anos. A expectativa é aumentar a capacidade de produção em até 30 vezes.

Estudos clínicos apontaram eficácia global de 74% e redução de 91% nos casos graves de dengue entre os vacinados. Nenhum participante vacinado necessitou de hospitalização por conta da doença durante os estudos. O desenvolvimento da vacina levou cerca de 20 anos, envolvendo tecnologias de diversos centros de pesquisa nacionais e colaboração internacional.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apoiou o projeto com aportes financeiros: R$ 32 milhões em 2008 e mais R$ 97 milhões em 2017 para a construção da fábrica de vacinas. Ao todo, o imunizante já recebeu investimentos da ordem de R$ 305,5 milhões.

Nos municípios que participam desta fase, a vacinação será feita mediante apresentação de documento oficial com foto; recomenda-se levar também o Cartão SUS. As autoridades de saúde reforçam que, mesmo com a ampliação da cobertura vacinal, permanecem essenciais as ações de prevenção contra o Aedes aegypti, em especial a eliminação de locais com água parada.

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