Em 19 de janeiro de 1982, por volta das 11h45 de uma terça-feira, Elis Regina morreu em São Paulo. A notícia provocou ampla comoção nacional e foi divulgada de forma imediata pelos meios de comunicação.
O corpo da cantora ficou em velório por mais de 19 horas. Após saída do Instituto Médico Legal, houve homenagens no Teatro dos Bandeirantes e o sepultamento foi no Cemitério do Morumbi.
Elis estreou na carreira ainda criança, no programa infantil Clube do Guri, da Rádio Farroupilha. Aos 13 anos já figurava entre as vozes mais notadas do rádio gaúcho.
Em abril de 1965, aos 20 anos, alcançou projeção nacional ao vencer o I Festival da Música Popular Brasileira, promovido pela TV Excelsior, com a canção “Arrastão”, de Edu Lobo e Vinicius de Moraes. No mesmo ano, ganhou grande visibilidade ao participar do programa O Fino da Bossa, ao lado de Jair Rodrigues.
Conhecida também pelo apelido “Pimentinha”, Elis se destacou pela intensidade nas interpretações e pela presença de palco. Na década de 1970 consolidou boa parte de sua obra mais lembrada. O espetáculo e álbum Falso Brilhante (1976) apresentou ao público composições que se tornariam importantes no repertório brasileiro, como “Como Nossos Pais”, de Belchior.
Em 1974, registrou com Tom Jobim o disco Elis & Tom, gravado em Los Angeles, considerado um marco de sofisticação e intimidade musical. Em 1979, sua interpretação de “O Bêbado e a Equilibrista”, de João Bosco e Aldir Blanc, passou a ser associada ao movimento pela anistia no fim do regime militar.
Ao longo da carreira, transitou por gêneros como samba, bossa nova, jazz e MPB. Entre as canções que integ raram seu catálogo estão “Madalena”, “Águas de Março”, “Atrás da Porta”, “Romaria” e “Maria, Maria”. Também protagonizou espetáculos que ampliaram o conceito de show no país, como Falso Brilhante, Transversal do Tempo e Saudade do Brasil.
No plano pessoal, teve três filhos: João Marcelo Bôscoli (pai Ronaldo Bôscoli), Pedro Camargo Mariano, e Maria Rita (pai César Camargo Mariano), todos com atividade no meio musical.
Quarenta e quatro anos após sua morte, Elis Regina permanece referência na música brasileira por sua técnica, diversidade de repertório e influência sobre gerações de intérpretes.




