A guavira, fruta típica do cerrado sul-mato-grossense, deixou de ser apenas um fruto nativo e passou a integrar ações de preservação ambiental e geração de renda em Mato Grosso do Sul. Na região da Serra da Bodoquena, iniciativas locais demonstram alternativas ao avanço de lavouras e pastagens por meio do cultivo e da reintrodução da espécie.
O trabalho articula órgãos e produtores. Participam a Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer) e o Centro de Pesquisas (Cepaer), com coordenação técnica da pesquisadora Ana Ajalla, além do Recanto Ecológico Rio da Prata, em Jardim, e produtores rurais assessorados por agricultores familiares. Essa rede tem ampliado práticas sustentáveis e o alcance das atividades de restauração no território.
Historicamente, áreas de guavirais foram gradualmente substituídas por monoculturas, reduzindo a presença da planta no campo. Os projetos atuais buscam reverter essa tendência recuperando áreas degradadas, promovendo a diversificação da produção rural e criando fontes de renda que não exigem a supressão da vegetação nativa.
Em Jardim, viveiros especializados estão transformando sementes de guavira em mudas por meio de técnicas que incluem substratos naturais e compostagem orgânica. O método facilita a adoção do cultivo por pequenos produtores e abastece iniciativas de restauração com milhares de mudas comercializadas para diferentes regiões do estado.
Além do potencial econômico, a guavira tem importância cultural e contribui para a conservação do bioma. As ações em curso demonstram como o manejo da espécie pode conciliar preservação do cerrado, manutenção de tradições locais e desenvolvimento sustentável.




