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quarta-feira, março 18, 2026

Após cinco anos de vacinação, casos de covid diminuem, mas riscos persistem

Cinco anos após o início da vacinação contra a Covid-19 no Brasil, a pandemia foi considerada controlada, mas a doença permanece circulando em níveis mais baixos. Autoridades de saúde mantêm a recomendação de imunizar quem ainda não recebeu a vacina e os grupos com maior risco de evolução grave.

A campanha de 2025 teve cobertura aquém do esperado. Do total de 21,9 milhões de doses distribuídas pelo Ministério da Saúde a estados e municípios, apenas 8 milhões foram aplicadas — menos de quatro em cada dez unidades disponibilizadas.

Relatórios da plataforma Infogripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), mostram reflexos dessa baixa adesão. Em 2025 foram registrados, até o momento, ao menos 10.410 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) confirmados por teste laboratorial associados ao coronavírus, com cerca de 1,7 mil óbitos. Esses números referem-se exclusivamente a casos confirmados por exame e podem ser acrescidos em razão de registros retroativos no sistema de vigilância do Ministério da Saúde.

Desde 2024, a vacina contra a Covid-19 faz parte do calendário básico para crianças, gestantes e idosos. Pessoas que integram grupos especiais também devem reforçar a imunização periodicamente. Apesar da inclusão no calendário, a cobertura vacinal do país segue insuficiente.

No público infantil, o Ministério informou a aplicação de 2 milhões de doses em 2025, sem detalhar a proporção de cobertura atingida. Dados públicos apontam que, no ano, apenas 3,49% do público-alvo menor de 1 ano recebeu dose contra a Covid-19; o ministério esclareceu que esse painel considera apenas aplicações em menores de um ano e que há trabalho em andamento para consolidar os dados por coorte etária.

A vacinação infantil começou em 2022. Mesmo durante o período de emergência sanitária, a meta de 90% de cobertura não foi alcançada: até fevereiro de 2024, 55,9% das crianças de 5 a 11 anos e 23% das de 3 e 4 anos haviam recebido a vacina.

As estatísticas mostram também a vulnerabilidade pediátrica. Entre 2020 e 2025, quase 20,5 mil casos de SRAG foram registrados em crianças com menos de 2 anos, com 801 mortes nesse período. Em 2024 ocorreram 2.440 internações e 55 óbitos nessa faixa etária. Crianças podem ainda desenvolver a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P), complicação rara associada à Covid-19, que registrou cerca de 2,1 mil casos e 142 óbitos no Brasil entre 2020 e 2023.

Estudos epidemiológicos internacionais também registraram aumento de alguns problemas cardiovasculares — como miocardite e tromboembolismo — após infecção por Sars-CoV-2 em crianças e adolescentes.

Em relação à proteção, há evidências de eficácia das vacinas pediátricas. Acompanhamento de 640 crianças e adolescentes vacinados com CoronaVac em São Paulo mostrou baixo número de infecções pós-vacina e ausência de casos graves entre os infectados. O monitoramento do Ministério da Saúde indica que, em 2022 e 2023, mais de 6 milhões de doses foram aplicadas em crianças com poucas notificações de eventos adversos, em sua maior parte leves.

A seguir, o esquema vacinal recomendado pelo programa nacional de imunização:

– Bebês: 1ª dose aos 6 meses; 2ª dose aos 7 meses; 3ª dose aos 9 meses (apenas para crianças que receberam Pfizer).

– Crianças imunocomprometidas: 1ª dose aos 6 meses; 2ª dose aos 7 meses; 3ª dose aos 9 meses (independente do imunizante); dose de reforço a cada 6 meses.

– Crianças indígenas, ribeirinhas, quilombolas ou com comorbidades: esquema básico igual ao das crianças em geral; reforço anual.

– Crianças menores de 5 anos que ainda não foram vacinadas ou que não completaram o esquema devem procurar serviço de saúde para regularizar a imunização.

– Gestantes: uma dose em cada gravidez.

– Puérperas (até 45 dias após o parto): uma dose, caso não tenham sido vacinadas durante a gestação.

– Idosos (a partir de 60 anos): uma dose a cada 6 meses.

– Pessoas imunocomprometidas: uma dose a cada 6 meses.

– Grupos com recomendação anual (uma dose por ano): residentes em instituições de longa permanência; indígenas; ribeirinhos; quilombolas; trabalhadores da saúde; pessoas com deficiência permanente; pessoas com comorbidades; pessoas privadas de liberdade e funcionários do sistema prisional; pessoas em situação de rua; trabalhadores dos Correios.

– Pessoas de 5 a 59 anos que nunca foram vacinadas e não pertencem a grupos prioritários: uma dose.

As autoridades de saúde mantêm a vigilância epidemiológica e a oferta das vacinas, com a orientação de atualização do esquema para reduzir internações e mortes associadas à Covid-19.

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