Um homem de 37 anos morreu neste sábado (24) em Minneapolis após ser baleado por um agente do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos EUA (ICE). A vítima foi levada a um hospital, onde foi confirmada a morte. Segundo autoridades locais, ele residia na cidade e era cidadão americano.
O Departamento de Segurança Interna dos EUA informou que o homem estava armado com uma pistola semiautomática e dois carregadores. Ainda de acordo com o órgão, o disparo ocorreu durante uma operação direcionada para localizar um imigrante em situação irregular, quando a vítima teria reagido de forma violenta e um agente atirou alegando temor pela própria vida.
Vídeos não confirmados que circulam nas redes sociais mostram agentes com coletes identificados como “Police” imobilizando uma pessoa no chão antes dos disparos. A polícia de Minneapolis recebeu aviso do caso por volta das 9h (horário local) e disse que, ao que tudo indica, a vítima possuía porte legal de arma conforme a legislação do estado.
A cidade vive clima de tensão ante operações federais de imigração. O episódio ocorreu poucas semanas após outra ação do ICE em que Renee Good, também de 37 anos e cidadã norte-americana, foi morta em janeiro — caso que provocou novos protestos e está sob investigação.
A Organização das Nações Unidas (ONU), por meio do alto comissariado para os Direitos Humanos, pediu investigação sobre possíveis violações no tratamento dispensado a imigrantes e refugiados nos Estados Unidos. Em comunicado, a entidade relatou preocupações quanto a detenções realizadas em locais sensíveis, como hospitais, igrejas, escolas, tribunais e residências, e apontou riscos ao princípio da unidade familiar.
Entre os episódios citados pela ONU está o de 20 de janeiro em Minneapolis, quando um menino de cinco anos foi detido junto com o pai. Autoridades educacionais locais afirmaram que a criança teria sido utilizada como isca para localizar outros imigrantes em uma residência. Pai e filho teriam sido levados a um centro de detenção no Texas, segundo o advogado da família.
O alto comissariado também manifestou preocupação com o uso de força potencialmente desproporcional em operações de fiscalização, lembrando que, segundo o direito internacional, o emprego intencional de força letal deve ocorrer apenas como último recurso diante de ameaça iminente à vida.
A ONU apontou ainda problemas no acesso oportuno a assistência jurídica por parte de detidos e na falta de avaliações individualizadas em processos de prisão e deportação, o que, na avaliação da entidade, expõe especialmente crianças a riscos duradouros.
O alto comissariado pediu uma investigação independente e transparente sobre o aumento de mortes sob custódia do ICE. De acordo com dados citados pela entidade, foram registradas ao menos 30 mortes em 2025 e outras seis neste ano. A ONU solicitou que as autoridades norte-americanas adotem práticas compatíveis com o direito internacional e o devido processo legal.




