Com 8,9 mil km² — equivalente a cerca de um Distrito Federal e meio — e cerca de 3,2 milhões de habitantes, Porto Rico mantém um status político ambíguo. A ilha é território dos Estados Unidos no Caribe, com predomínio do espanhol e forte identidade latino-americana.
Oficialmente designada como “Estado Livre Associado”, Porto Rico não é um estado americano. Seus moradores são cidadãos dos EUA e têm livre circulação pelo país, além de elegerem o governador local. No entanto, não votam para presidente nem possuem representantes com direito a voto no Congresso dos Estados Unidos.
Ao mesmo tempo, a ilha está sujeita às leis federais norte-americanas, seus habitantes servem nas Forças Armadas dos EUA e o território abriga instalações militares americanas. Porto Rico também não conduz relações exteriores independentes.
A ambiguidade do arranjo jurídico-político alimenta um debate sobre a natureza do vínculo com Washington. Alguns analistas e movimentos políticos classificam a situação como colonial, enquanto a terminologia oficial permanece a de Estado Livre Associado.
História e evolução do status
Porto Rico foi colônia espanhola até 1898, quando a Guerra Hispano-Americana transferiu o controle da ilha para os Estados Unidos. Em 1917, os porto-riquenhos adquiriram a cidadania estadunidense. Em 1952, o território passou a adotar a forma política conhecida como Estado Livre Associado, com autonomia administrativa interna.
Posição das Nações Unidas
A Ilha não consta atualmente na lista de “Territórios Não Autônomos” da ONU, status que deixaria explícita a condição colonial clássica desde 1952. Ainda assim, o Comitê Especial sobre Descolonização da ONU tem qualificado Porto Rico como um caso de “situação colonial” em relatórios. Um documento divulgado pelo relator do Comitê em março de 2025 apontou que a subordinação decorre da aplicação da Constituição e de decisões do Congresso dos EUA, que mantém poderes plenos sobre defesa, relações exteriores, comércio exterior, assuntos monetários e outras áreas estratégicas, enquanto a ilha detém autoridade local restrita a tópicos específicos.
Referendos e preferências da população
Desde 1967, Porto Rico realizou sete referendos consultivos sobre seu status político. Essas consultas não são vinculantes para o Congresso americano e servem apenas para medir a opinião pública.
No plebiscito de 2024, 58% dos votos favoreceram a transformação de Porto Rico em estado dos EUA; 29% optaram por um status de livre associação; e 11% escolheram a independência. Em 2020, a opção pela anexação como estado obteve 52% dos votos contra 47% contrários. As votações costumam ser questionadas por problemas de participação eleitoral e pelo formato das perguntas.
Bad Bunny e o Super Bowl
No domingo (9), o artista porto-riquenho Bad Bunny apresentou o show do intervalo do Super Bowl em São Francisco. A performance, cantada em espanhol, marcou a primeira vez em que o intervalo do evento foi inteiramente em espanhol. A apresentação destacou culturas latino-americanas e exibiu bandeiras de países das Américas ao lado da bandeira dos Estados Unidos.
O repertório do cantor tem enfoque na defesa da cultura porto-riquenha e em críticas à influência estadunidense na ilha, incluindo referências à perda de identidade cultural em territórios que se tornaram parte dos EUA.
O debate sobre o futuro político de Porto Rico segue presente na ilha e nas instâncias internacionais, enquanto decisões concretas sobre mudança de status dependem do Congresso dos Estados Unidos.




