35.1 C
Dourados
segunda-feira, fevereiro 16, 2026

Dicas de advogada para se proteger de crimes digitais durante o Carnaval

Imagens e vídeos feitos durante o carnaval, sem o conhecimento ou consentimento dos foliões, podem ser usados de forma indevida, gerar danos à imagem e abrir caminho para crimes. Especialistas em direito digital orientam cuidados para reduzir riscos durante a folia e ao longo do ano.

A principal vulnerabilidade vem da facilidade de manipulação e disseminação de conteúdo na internet. Fotos e vídeos publicados em tempo real expõem a localização e hábitos das pessoas, o que facilita ações fraudulentas e perseguições.

Invasões de contas e golpes financeiros foram apontados como ocorrências frequentes em eventos de massa. Usuários que se conectam a redes Wi‑Fi públicas suspeitas ou clicam em links e SMS potencialmente maliciosos ficam mais expostos a acessos não autorizados às suas redes sociais e dados bancários.

Outra ameaça crescente são as deepfakes e os chamados “deepnudes” — imagens e vídeos gerados por inteligência artificial que colocam pessoas em situações íntimas ou sexualizadas. Fantasias, adereços e símbolos típicos do carnaval tornam esse tipo de manipulação mais viável, sobretudo contra mulheres.

Aplicativos de relacionamento também são usados por criminosos. Fotos reais podem ser alteradas por IA para criar perfis falsos que estabelecem contato, combinam encontros e atraem vítimas para locais isolados, onde ocorrem roubos, furtos, sequestros e outras violências. Videoconferências feitas com golpistas podem ser utilizadas para obter dados que permitam fraudes financeiras, como contratações de empréstimos ou emissão de cartões.

Algumas recomendações práticas para reduzir riscos:
– aceitar apenas contatos conhecidos nas redes sociais;
– evitar publicações em tempo real que indiquem local ou rotina;
– não divulgar fotos íntimas ou que contenham símbolos que identifiquem instituição de trabalho ou estudo;
– desconfiar de redes Wi‑Fi públicas e de mensagens com links ou códigos recebidos por SMS;
-, ao usar apps de encontros, checar perfis em redes sociais, confirmar se a pessoa está na mesma cidade e pesquisar nomes em buscas públicas;
– preferir videochamadas com cautela (evitando aproximação excessiva do rosto) e não enviar imagens comprometedoras;
– marcar encontros apenas em locais públicos e com segurança.

Capturas de tela (prints) são evidências digitais essenciais em investigações. Registros de perfis, números de WhatsApp, fotos de videoconferências e conversas devem ser salvos e compartilhados com amigos ou familiares para criar uma linha do tempo que facilite eventual apuração. Criminosos costumam apagar perfis e mensagens após consumar golpes, o que dificulta a identificação posterior.

Do ponto de vista jurídico, as vítimas podem buscar responsabilização civil e criminal. Em casos de invasão de conta bancária, por exemplo, há possibilidade de responsabilização civil da instituição financeira além da responsabilização penal do autor da fraude. Quem recebe recursos provenientes de crimes também pode ser responsabilizado.

Para deepfakes e outros conteúdos manipulados, há previsão de responsabilização penal do criador do material e possibilidade de responsabilização da plataforma, tanto para remoção do conteúdo quanto para reparação de danos morais e materiais, dependendo da extensão da divulgação. Plataformas de relacionamento podem ser responsabilizadas caso não adotem mecanismos adequados de verificação de usuários.

Especial atenção é recomendada para pessoas LGBTQIA+, que muitas vezes usam apelidos ou perfis sem rosto e, por isso, podem ser mais vulneráveis a fraudes e exposição. Em todos os casos, a orientação é registrar ocorrências e não subestimar ou envergonhar‑se por ter sido vítima — denunciar é parte importante da proteção e da responsabilização dos autores.

OUTRAS NOTÍCIAS

REDES SOCIAIS

6,780FãsCurtir
126SeguidoresSeguir
6,890InscritosInscrever
spot_img

VÍDEOS