Pela primeira vez em Mato Grosso do Sul, jovens indígenas participaram oficialmente do Fórum Regional de Juventude. A escuta aconteceu durante a IX Assembleia da Juventude Terena — intitulada “Guardiões da memória, construtores do amanhã” — realizada em 7 de fevereiro na Aldeia Cachoeirinha, Terra Indígena Cachoeirinha.
A atividade fez parte do Circuito Avança Juventude e foi organizada pela Secretaria de Estado da Cidadania, por meio da Subsecretaria de Políticas Públicas para Juventude, com apoio da Subsecretaria de Políticas Públicas para Povos Originários. O Conselho Estadual da Juventude de Mato Grosso do Sul e a própria Assembleia da Juventude Terena também participaram da articulação.
Ao todo, 114 jovens das etnias Terena, Kinikinau, Guarani (Kaiowá e Ñandeva) e Kadiwéu participaram da construção coletiva. Foram levantadas mais de 30 propostas que agora integrarão o relatório oficial do Plano Estadual da Juventude.
A Assembleia Terena, realizada desde 2023, reúne representantes de diferentes povos indígenas do estado e inclui atividades culturais e de formação. Na edição em Cachoeirinha, a programação contemplou oficinas e debates voltados para a relação entre tradição e políticas públicas.
A metodologia do Fórum seguiu três etapas: plenária inicial, grupos por eixos temáticos e plenária final de socialização. Os debates foram organizados em cinco eixos: Educação, Profissionalização, Trabalho e Renda; Cultura, Esporte e Lazer; Participação Social, Saúde, Diversidade e Igualdade; Sustentabilidade, Meio Ambiente, Território e Mobilidade; e Saúde Mental.
Entre as propostas apresentadas pela juventude estiveram maior acesso de jovens indígenas a espaços dentro do governo, promoção de eventos esportivos nas comunidades e demandas ligadas a território, saúde, educação e diversidade.
O Fórum Regional de Juventude faz parte do processo de renovação do Plano Estadual da Juventude. Em 2025 foram realizados sete fóruns regionais em diferentes regiões do estado. A edição de 2026 voltada às juventudes indígenas amplia a representatividade e incorpora especificidades culturais, sociais e territoriais ao planejamento estadual.
Ao levar o debate para dentro da aldeia, o governo estadual incorpora ao processo de formulação de políticas públicas propostas geradas diretamente pelas juventudes indígenas.
Paula Maciulevicius, Comunicação da Cidadania




