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quinta-feira, fevereiro 19, 2026

Governo intensifica ações contra a coqueluche na Terra Indígena Yanomami

O Ministério da Saúde montou uma força-tarefa para reforçar o atendimento na base polo de Surucucu, na Terra Indígena Yanomami, em Roraima. A ação foi anunciada na quarta-feira (18) após o registro de aumento de casos de coqueluche entre crianças da região: oito confirmações e três óbitos.

A coqueluche é uma doença respiratória bacteriana e altamente contagiosa, cujo sintoma inicial mais comum são crises de tosse seca. A equipe enviada pelo ministério chegou à área na segunda-feira (16) e veio acompanhada por especialistas do Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do SUS, com experiência em contenção de surtos.

O grupo atuará em conjunto com o Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) Yanomami. O Dsei já realizava coletas de material e ações preventivas em aldeias próximas. Ao todo, 50 profissionais reforçarão a prevenção e a assistência local.

As crianças infectadas estão internadas e em tratamento em hospitais de Boa Vista. Duas já receberam alta e retornaram às aldeias. Casos suspeitos continuam em investigação e sob acompanhamento.

Vacinação

A principal forma de prevenção contra a coqueluche é a vacinação. No Brasil, as doses são oferecidas pelo SUS para crianças de até 7 anos e para gestantes, nas Unidades Básicas de Saúde.

Segundo o Dsei Yanomami, a cobertura vacinal completa em crianças menores de 1 ano quase dobrou entre 2022 e 2025, passando de 29,8% para 57,8%. Entre menores de 5 anos, a cobertura subiu de cerca de 52% para 73% no mesmo período.

Desafios

Em 2023, o governo federal decretou estado de emergência na Terra Indígena Yanomami devido ao elevado índice de desnutrição, à incidência de malária e ao número de óbitos por causas diversas. Desde então, foram implementadas ações envolvendo os ministérios da Saúde, da Defesa e dos Povos Indígenas para reorganizar serviços de saúde e reforçar a segurança na região.

Medidas adotadas incluíram o fechamento de garimpos ilegais, alocação de recursos para controle do espaço aéreo, iniciativas de despoluição dos rios, tratamento de água e construção de unidades de saúde especializadas.

Em 2023, o Dsei contava com 690 profissionais. Desde a decretação do estado de emergência, foram contratados mais 1.165 trabalhadores, um aumento de 169% no quadro. Dados do Ministério da Saúde de 2025 indicam queda de 27,6% na mortalidade da região desde o início das ações.

A Terra Indígena Yanomami abriga mais de 30 mil pessoas distribuídas em cerca de 376 comunidades, sendo o maior território indígena do país.

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