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domingo, março 15, 2026

Ponte internacional da Rota Bioceânica entra na fase final; encontro das margens previsto para maio de 2026

A Ponte Internacional da Rota Bioceânica, que ligará Porto Murtinho (MS) a Carmelo Peralta (Paraguai), avançou para a etapa final de ligação entre os dois países. A estrutura estaiada tem 1.294 metros de extensão e 21 metros de largura; faltam cerca de 101 metros para o fechamento total.

A aduela de fechamento — peça técnica que une os tabuleiros, conhecida popularmente como “beijo” das aduelas — tem conclusão prevista para o final de maio. Após esse marco, serão executados serviços complementares na estrutura.

Entre as intervenções previstas estão a instalação de cabos de aço embutidos na laje de concreto do piso para unir os lados brasileiro e paraguaio, o retensionamento dos 168 estais que sustentam o vão central e a colocação de 168 amortecedores para esses cabos.

Os dois pilares principais e os cabos receberão sensores eletrônicos capazes de monitorar cargas em tempo real e enviar dados a computadores que acompanham o comportamento da ponte, inclusive durante a passagem de veículos ou em eventuais anomalias estruturais.

Também estão previstos iluminação fluvial para garantir a navegação segura no Rio Paraguai, acabamento do piso, instalação de grades de proteção e implantação de ciclovia. Em etapas posteriores serão realizados asfaltamento, pintura, sinalização e iluminação ornamental.

A entrega completa da ponte está programada para agosto de 2026.

A obra é parte estratégica do Corredor Rodoviário de Capricórnio, a chamada Rota Bioceânica, que conecta os portos do norte do Chile — Antofagasta e Iquique — ao interior da América do Sul, passando por Paraguai e Argentina e chegando a portos brasileiros, como o de Porto Murtinho, com potencial de ligação futura à costa atlântica.

Estudos indicam que o Corredor Bioceânico poderá reduzir em mais de 9,7 mil quilômetros a rota marítima das exportações brasileiras rumo à Ásia, sobretudo as provenientes do Sudeste e do Centro-Oeste. Para viagens à China, a projeção é de uma queda de cerca de 23% no tempo de transporte, o equivalente a 12 a 17 dias a menos.

Além da ponte e dos acessos, estão previstas infraestruturas alfandegárias integradas nos dois lados da fronteira. A Receita Federal estima um fluxo inicial de cerca de 250 caminhões por dia, com possibilidade de crescimento à medida que a rota se consolide como alternativa logística para o Mercosul e a Ásia.

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