O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (24) que sua administração inaugurou um novo período de prosperidade no país, em discurso do Estado da União marcado por ênfase na economia e por divisões visíveis entre os partidos.
Atendendo a pedidos de parlamentares republicanos preocupados com a possibilidade de perder a maioria no Congresso nas eleições de novembro, Trump dedicou a primeira hora do pronunciamento a resultados econômicos. Ele destacou medidas que atribuiu ao seu governo, entre elas desaceleração da inflação, ganhos recordes no mercado de ações, cortes tributários e redução nos preços de medicamentos.
Analistas e pesquisas, porém, indicam ceticismo entre eleitores. Dados recentes mostraram que a economia desacelerou no último trimestre e que a inflação voltou a acelerar. Uma pesquisa Reuters/Ipsos apontou aprovação de apenas 36% da população à gestão econômica do presidente. Democratas apostam na retomada do controle das duas casas do Congresso nas eleições de novembro, quando estarão em disputa as 435 cadeiras da Câmara e cerca de um terço do Senado.
O plenário exibiu diferenças visíveis: dezenas de assentos do lado democrata permaneceram vazios enquanto manifestantes protestavam do lado de fora do Capitólio. Durante o discurso, Trump manteve-se mais contido que o habitual, seguindo o roteiro e evitando longas digressões, mas voltou a adotar tom combativo ao tratar de imigração, resultando em confrontos verbais com legisladores.
Na agenda externa, o presidente deu pouco espaço à política internacional, apesar de ter dedicado grande parte de seu tempo no cargo a questões externas. Ele reiterou a alternativa à via militar para o Irã, sem detalhar planos, e reafirmou que não permitirá que o país obtenha armas nucleares. O pronunciamento trouxe poucas menções à Ucrânia, mesmo no quarto aniversário da invasão russa, e não tratou de temas centrais como China ou da disputa sobre a Groenlândia.
A Suprema Corte dos EUA havia derrubado na sexta-feira anterior a maior parte das tarifas de importação defendidas pela Casa Branca. Trump criticou a decisão publicamente antes da votação, mas limitou o tom sobre o tema durante o discurso, afirmando que o impacto sobre sua política comercial seria reduzido.
No ponto da imigração, o presidente repetiu a retórica dura que tem marcado sua campanha para 2024, atribuindo a migrantes indocumentados responsabilidade por aumento de crimes violentos — narrativa contestada por estudos sobre criminalidade. A reação a políticas de repressão à imigração ganhou força após a morte de dois cidadãos americanos pelos agentes federais mascarados em Minneapolis, evento que contribuiu para pesquisas indicando que parte da população considera que as ações foram excessivas.
O discurso também teve episódios de tensão no hemiciclo. Um deputado foi retirado após exibir um cartaz crítico, em referência a um vídeo polêmico postado nas redes sociais da campanha presidencial que associava figuras públicas a macacos; o vídeo foi removido pela Casa Branca, que atribuiu a publicação a um funcionário. Outros parlamentares fizeram protestos mais discretos, com mensagens e insígnias a favor de questões como acesso à saúde. Cerca de uma dúzia de acusadoras ligadas ao caso Jeffrey Epstein foram convidadas por democratas.
O pronunciamento ocorreu em um contexto de aprovação presidencial em queda e crescente preocupação pública com temas como custo de vida e riscos de conflito com o Irã. Reportagem adicional de Steve Holland e Daphne Psaledakis.




