O governo brasileiro adotou postura cautelosa diante dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã ocorridos neste sábado (28). Em comunicado oficial, a diplomacia do país classificou a ofensiva como condenável e defendeu negociações como caminho para a paz, além de pedir respeito ao direito internacional e contenção para evitar escalada e proteger civis e infraestrutura.
Estados Unidos e Israel realizaram ataques contra alvos no território iraniano. Em retaliação, o Irã lançou mísseis contra países vizinhos que abrigam bases americanas. O país persa afirma que seu programa nuclear tem fins pacíficos.
O contexto diplomaticoeconômico contribui para a cautela brasileira. O Brasil mantém negociações comerciais sobre tarifas com os Estados Unidos, e há previsão de encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente norte-americano no final de março.
Em agosto do ano passado, o governo dos EUA aplicou tarifas sobre produtos brasileiros, que chegaram a atingir até 50% em alguns itens. Desde então, Brasília e Washington têm negociado redução ou retirada de itens da lista de taxas. Em 20 de fevereiro, uma decisão da Suprema Corte dos EUA anulou medida relacionada a esse pacote tarifário, em meio a reações e ajustes na política de trade aplicada por Washington.
No plano multilateral, o Brasil é um dos países fundadores do Brics, bloco que atualmente reúne 11 membros e 10 parceiros. Rússia e China também são fundadores do grupo, e o Irã tornou-se membro em 2024. Essa composição amplia os vínculos políticos e econômicos entre os países e contribui para a linha de prudência adotada por Brasília.
Do ponto de vista econômico, a escalada do conflito pode ter efeitos diretos e indiretos sobre o Brasil. Um aumento nos preços do petróleo pressionaria a inflação, dada a influência do combustível nas cadeias produtivas. Além disso, o Irã é comprador relevante de produtos brasileiros, sobretudo milho, soja e proteínas.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a corrente de comércio entre Brasil e Irã em 2025 foi de US$ 3 bilhões (cerca de R$ 15 bilhões). O Brasil registrou superávit na relação: exportações de US$ 2,9 bilhões e importações de US$ 85 milhões. Em 2025, o Irã ocupou a 31ª posição entre os destinos das exportações brasileiras; o milho não moído respondeu por 67,9% do valor embarcado ao país, seguido da soja, com 19,3%.
Analistas apontam que, caso o conflito se intensifique a ponto de envolver bloqueios marítimos ou maior presença naval americana, a logística de envio dessas mercadorias para o Irã poderia ser prejudicada, afetando setores exportadores no Brasil.




