Um estudo divulgado nesta terça-feira (3) pelo Instituto Esfera, em Brasília, aponta a necessidade de políticas públicas específicas para reduzir os impactos da menopausa sobre as mulheres no Brasil, com atenção especial para negras e aquelas em situação de vulnerabilidade.
O relatório destaca que a menopausa tem componentes biológicos e sociais que agravam a situação de mulheres negras e residentes em comunidades carentes, criando um cruzamento de vulnerabilidades que amplia seus efeitos na saúde e no mercado de trabalho.
Segundo o documento, sintomas físicos e psicológicos não tratados contribuem para a insustentabilidade das relações profissionais dessas mulheres, com reflexos diretos sobre o núcleo familiar e sobre a produtividade. O estudo alerta ainda para pressões adicionais sobre o sistema previdenciário decorrentes do afastamento do trabalho.
O levantamento também aponta riscos à saúde mental associados à menopausa não assistida, entre eles maior probabilidade de desenvolvimento de doenças como Alzheimer e depressão. O relatório registra um aumento de casos de menopausa precoce e ressalta que o envelhecimento da população exige reforço nas redes públicas de atenção.
O Instituto Esfera defende a realização de um mapeamento nacional sobre a menopausa para compreender melhor a realidade brasileira. O documento sublinha que a ausência de uma política pública estruturada tem efeitos concretos sobre saúde, economia e cidadania, com custos mensuráveis em nível internacional.
Estudos internacionais citados no relatório estimam custos anuais de US$ 26,6 bilhões nos Estados Unidos e US$ 150 bilhões no mundo, além de queda média de 10% nos rendimentos das mulheres afetadas. No Brasil, o estudo estima que 29 milhões de mulheres estejam na fase menopausal e que 87,9% apresentem sintomas; apenas 22,4% dessas buscam tratamento.
O relatório recomenda tratar a menopausa como etapa legítima do ciclo de vida que demanda informação, cuidado e proteção institucional, sem caracterizar o envelhecimento feminino como patologia.
O lançamento do estudo ocorreu em evento do Instituto Esfera em Brasília, que também incluiu premiação de iniciativas identificadas como “mulheres exponenciais” e contou com a presença de representantes do Ministério da Saúde.




