Os Estados Unidos fecharam um acordo com 16 países latino-americanos para ações conjuntas contra os cartéis em uma conferência realizada em Doral, Flórida, na quinta-feira (5). O encontro teve coordenação do secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, e foi sediado no Comando Sul das Forças Armadas americanas, responsável pelo monitoramento da América Latina e do Caribe.
A iniciativa foi apresentada pelos EUA como parte de uma estratégia regional que reforça a influência de Washington nas Américas. Na ocasião, foi anunciada a formação de uma coalizão multilateral para enfrentar as organizações criminosas ligadas ao tráfico de drogas.
Participaram representantes da América do Sul: Argentina, Guiana, Bolívia, Equador, Paraguai, Chile e Peru. Da América Central e Caribe estiveram presentes Belize, Costa Rica, República Dominicana, El Salvador, Guatemala, Honduras, Jamaica, Panamá e Trinidad e Tobago.
O Ministério da Defesa da Argentina informou que, além de uma declaração conjunta ainda não divulgada, foram firmados acordos bilaterais com os Estados Unidos. Esses acordos visam, segundo a pasta, adaptar o marco jurídico de cada país como parte do que foi acordado.
A iniciativa gerou reações diversas na região. México e Brasil indicaram que o combate aos cartéis deve ocorrer com respeito à soberania e por meio de coordenação entre os países, sem subordinação. Autoridades brasileiras também têm destacado a distinção entre atividades policiais de enfrentamento ao narcotráfico e ações de Defesa relacionadas à soberania territorial, enquanto interlocutores norte-americanos têm buscado um maior papel militarizado nessas operações.
Entre os países que têm ampliado relações com Washington no tema estão Equador e Paraguai. O Senado do Paraguai aprovou um acordo com os EUA que prevê a presença de militares americanos no país com imunidade penal para operações, medida que ainda depende de aprovação na Câmara dos Deputados. O Equador e os EUA anunciaram operações militares conjuntas contra cartéis nesta semana.
O histórico recente mostra tentativas de expandir a presença estrangeira no Equador: em novembro de 2025, proposta de referendo para autorizar bases militares estrangeiras foi rejeitada por cerca de 60% dos eleitores que compareceram às urnas.
A agenda americana sobre o combate aos cartéis surge em um contexto de ampliação das prioridades estratégicas dos EUA na região, com implicações para as relações bilaterais e a discussão sobre soberania nacional entre os países latino-americanos.




