O Ministério Público Federal divulgou esta semana o documentário Além do Afundamento – A Memória Persiste, que retrata as consequências do afundamento do solo provocado pela extração de sal-gema em Maceió. Cerca de 60 mil pessoas foram removidas de bairros que eram referência cultural e histórica da cidade.
O filme registra a mobilização de moradores e especialistas em defesa dos direitos das comunidades afetadas. Mostra, por exemplo, o grupo cultural Coco de Roda Reviver, que antes ensaiava na Praça Lucena Maranhão, no bairro Bebedouro — o segundo mais antigo de Maceió — e precisou se realocar. A praça permanece vazia e boa parte dos integrantes mudou-se para bairros distantes ou mesmo para cidades vizinhas.
O documentário também aponta que alguns coletivos culturais conseguiram manter as atividades, enquanto outros foram obrigados a interrompê-las em função das remoções.
A produção tem 22 minutos e está disponível no canal do Ministério Público Federal no YouTube.
Além do registro das perdas, o filme apresenta um plano de ações com mais de 40 medidas de compensação. Entre as iniciativas destacadas está a criação do Inventário Participativo do Patrimônio Imaterial, que mapeou saberes e expressões culturais em mais de 470 locais de memória coletiva.
Moradores realizam neste sábado (7) uma caminhada pelas comunidades dos Flexais e Marques de Abrantes, áreas que perderam milhares de famílias após as ações da empresa Braskem.
A Braskem informa que todos os moradores, proprietários e comerciantes de 14,5 mil imóveis foram atendidos no Programa de Compensação Financeira. Até janeiro deste ano, a companhia diz ter apresentado mais de 19 mil propostas, com índice de aceitação superior a 99%.




