A atividade industrial do Brasil avançou 1,8% em janeiro de 2026 na comparação com dezembro, segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) divulgada pelo IBGE nesta sexta-feira (6). O resultado, porém, não recompõe as perdas acumuladas ao final de 2025, cuja queda registrada entre setembro e dezembro soma 0,8%.
Entre os setores que puxaram o crescimento estiveram produtos químicos (+6,2%), veículos automotores, reboques e carrocerias (+6,3%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (+2,0%).
Na indústria química, a alta foi influenciada pela maior produção de adubos e fertilizantes, além de herbicidas e fungicidas, itens ligados ao setor agrícola. No segmento automobilístico, o avanço veio sobretudo da produção de caminhões e autopeças. A indústria extrativa contribuiu com o aumento na fabricação de derivados de petróleo, coque e biocombustíveis.
A retomada da produção após férias coletivas em dezembro também favoreceu o desempenho de janeiro.
Seis atividades industriais registraram queda no mês. O maior impacto negativo veio do setor de máquinas e equipamentos, com recuo de 6,7% pelo segundo mês seguido. As perdas concentraram-se em bens de capital para uso industrial e agrícola, afetados pelo encarecimento do crédito decorrente do patamar elevado das taxas de juros.
Na comparação anual, janeiro de 2026 cresceu 0,2% frente a janeiro de 2025, interrompendo uma sequência de resultados negativos, embora duas das quatro grandes categorias econômicas e 17 dos 25 ramos pesquisados ainda apresentem taxas negativas. Entre os fatores que pesaram nessa leitura estão o menor número de dias úteis em janeiro de 2026 e a base de comparação mais elevada em 2025, quando a indústria tinha crescido 1,3% naquele mês.
Em prazo mais longo, a indústria acumulou alta de 0,5% em 12 meses, marcando o 26º resultado positivo, porém com perda de intensidade: em dezembro de 2024 o avanço foi de 3,1% e em janeiro de 2025, de 2,9%, evidenciando uma trajetória descendente.
Riscos externos, como conflitos no Oriente Médio — região que concentra grande parte das reservas mundiais de petróleo —, podem afetar o comércio internacional, elevar custos e reduzir a oferta de matérias-primas, gerando incertezas para a indústria e para a economia em geral.




