O Irã advertiu que o mercado deve se preparar para petróleo a US$ 200 por barril, enquanto suas forças atacaram navios mercantes na quarta-feira (11) e a Agência Internacional de Energia (AIE) recomendou a liberação massiva de reservas estratégicas para mitigar um dos maiores choques de oferta desde os anos 1970.
A escalada do conflito, iniciada há quase duas semanas com ataques aéreos conjuntos dos Estados Unidos e de Israel, já deixou cerca de 2 mil mortos, em sua maioria iranianos e libaneses. O confronto se alastrou pelo Líbano e provocou forte turbulência nos mercados globais de energia e transporte.
Mesmo após o Pentágono qualificar as operações aéreas recentes como as mais intensas desde o começo do conflito, o Irã continuou a atacar alvos em Israel e em outras partes do Oriente Médio. Na quarta-feira, três embarcações foram atingidas em águas do Golfo Pérsico. A Guarda Revolucionária informou ter disparado contra navios que teriam desobedecido às suas ordens.
Desde o início da guerra, 14 navios mercantes já sofreram danos, incluindo um graneleiro de bandeira tailandesa que foi incendiado e cuja tripulação precisou abandonar a embarcação; três tripulantes foram dados como desaparecidos, possivelmente presos na casa de máquinas. Outros dois navios — um porta-contêineres japonês e um graneleiro das Ilhas Marshall — também foram danificados por projéteis.
Autoridades norte-americanas e israelenses têm declarado como objetivo a redução da capacidade iraniana de projetar poder além de suas fronteiras e a destruição do programa nuclear iraniano. Ao mesmo tempo, o Departamento de Estado dos EUA alertou para o risco de ataques planejados pelo Irã e por milícias aliadas contra infraestruturas de petróleo e energia de propriedade americana no Iraque. Relatos também indicaram ataques anteriores a hotéis frequentados por norte-americanos no país, inclusive na região do Curdistão iraquiano.
As restrições ao tráfego no Estreito de Ormuz permanecem, e não há sinais de que a passagem já possa ser considerada segura. Fontes afirmaram que o Irã teria instalado cerca de uma dúzia de minas no canal, situação que complica ainda mais a navegação. As forças dos EUA avisaram os iranianos para manter distância de portos com instalações navais; as autoridades militares iranianas responderam que, caso portos fossem ameaçados, centros econômicos e comerciais poderiam ser alvos.
No campo econômico, os preços do petróleo têm apresentado grande volatilidade. Pelos primeiros dias da semana, o barril chegou a quase US$ 120 antes de recuar para cerca de US$ 90. Na quarta-feira, o preço subiu novamente quase 5% diante de novos receios sobre interrupção de oferta. Os principais índices de Wall Street recuaram em meio ao aumento da aversão ao risco.
Para conter a escalada dos preços, a AIE recomendou a liberação de 400 milhões de barris de reservas estratégicas globais — a maior intervenção desse tipo até hoje — medida que recebeu apoio rápido de Washington. Autoridades americanas também indicaram expectativa de aumento da produção por parte de empresas dos EUA em resposta aos sinais de preço, embora a quantidade liberada das reservas seja apenas uma fração do fluxo que passa pelo Estreito de Ormuz.
O conflito afetou diretamente populações civis. No Irã, multidões participaram de funerais de comandantes mortos nos ataques aéreos. Em Teerã, moradores têm se adaptado aos bombardeios noturnos, que provocaram evacuações em massa para áreas rurais e preencheram a cidade com fumaça e chuva negra oriunda de incêndios em instalações petrolíferas.
A situação tem gerado pedidos internacionais por um cessar-fogo, com Turquia e países europeus apelando pelo fim das hostilidades. Apesar desses apelos, autoridades militares israelenses afirmaram manter uma lista extensa de objetivos no Irã, incluindo depósitos de mísseis balísticos e locais associados ao programa nuclear.
As tensões políticas internas também aumentaram. Autoridades de segurança iranianas anunciaram medidas para controlar manifestações e advertiram contra aglomerações, enquanto grupos de oposição curdos e outras formações mantêm posições organizadas dentro do país.
O episódio intensificou preocupações sobre impactos econômicos globais e sobre a segurança da navegação em uma das principais rotas de petróleo do mundo, elevando a urgência das decisões diplomáticas e estratégicas nas próximas semanas.




