Cuba completa três meses sem receber carregamentos de combustível, em meio às novas sanções energéticas impostas pelos Estados Unidos que visam penalizar países que vendam petróleo à ilha.
Autoridades cubanas informaram que, em decorrência do bloqueio, alguns municípios enfrentam apagões de até 30 horas. A maior parte da eletricidade do país — cerca de 80% — é gerada por usinas termelétricas que dependem de combustíveis fósseis, o que aumenta a vulnerabilidade diante da redução do acesso a petróleo no mercado internacional. A situação foi agravada pelo bloqueio naval dos EUA à Venezuela, iniciado no final de 2025.
O governo de Havana anunciou negociações iniciais com representantes dos Estados Unidos. As conversações, segundo comunicados oficiais, estão em fase preliminar e foram facilitadas por interlocutores internacionais. Também foi comunicada a intenção de prosseguir o diálogo com base em princípios de igualdade, soberania e autodeterminação.
Como parte do endurecimento de sua política, o governo norte-americano emitiu em 29 de janeiro uma ordem executiva que classificou Cuba como uma “ameaça incomum e extraordinária” à segurança dos EUA. A medida prevê a aplicação de tarifas sobre produtos de países que forneçam ou vendam petróleo à ilha, restringindo ainda mais as opções de abastecimento de Havana.
Para mitigar a crise energética, o governo cubano vem adotando medidas como aumento da produção interna de petróleo, expansão de usinas solares e incentivo ao uso de veículos elétricos. Durante o período diurno, parte da eletricidade tem sido gerada com petróleo bruto nacional e o aporte de fontes renováveis chegou a variar entre 49% e 51% da geração em alguns momentos do dia, segundo dados oficiais.
As autoridades reconheceram que essas ações reduziram parcialmente a frequência de interrupções no fornecimento, mas mantêm a dependência de combustível importado para serviços essenciais, como saúde, educação, transporte e distribuição de energia. O país relata que dezenas de milhares de pacientes aguardam cirurgias que não podem ser realizadas pela falta de eletricidade, incluindo um número significativo de crianças.
A deterioração do cenário foi marcada por aumento de apagões, alta nos preços de produtos básicos, corte de oferta no transporte público e redução da cesta básica subsidiada pelo Estado. A situação é mais crítica nas províncias do interior, onde as interrupções podem se estender por grande parte do dia.
O endurecimento das sanções insere-se em um contexto histórico de mais de seis décadas de embargo comercial dos Estados Unidos contra Cuba, iniciado logo após a Revolução de 1959. O novo pacote de restrições amplia as medidas econômicas que já afetam o acesso de Cuba a combustíveis e a mercados internacionais.




