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sexta-feira, março 13, 2026

Bloqueio dos EUA deixa Cuba três meses sem receber combustível

Cuba completa três meses sem receber carregamentos de combustível, em meio às novas sanções energéticas impostas pelos Estados Unidos que visam penalizar países que vendam petróleo à ilha.

Autoridades cubanas informaram que, em decorrência do bloqueio, alguns municípios enfrentam apagões de até 30 horas. A maior parte da eletricidade do país — cerca de 80% — é gerada por usinas termelétricas que dependem de combustíveis fósseis, o que aumenta a vulnerabilidade diante da redução do acesso a petróleo no mercado internacional. A situação foi agravada pelo bloqueio naval dos EUA à Venezuela, iniciado no final de 2025.

O governo de Havana anunciou negociações iniciais com representantes dos Estados Unidos. As conversações, segundo comunicados oficiais, estão em fase preliminar e foram facilitadas por interlocutores internacionais. Também foi comunicada a intenção de prosseguir o diálogo com base em princípios de igualdade, soberania e autodeterminação.

Como parte do endurecimento de sua política, o governo norte-americano emitiu em 29 de janeiro uma ordem executiva que classificou Cuba como uma “ameaça incomum e extraordinária” à segurança dos EUA. A medida prevê a aplicação de tarifas sobre produtos de países que forneçam ou vendam petróleo à ilha, restringindo ainda mais as opções de abastecimento de Havana.

Para mitigar a crise energética, o governo cubano vem adotando medidas como aumento da produção interna de petróleo, expansão de usinas solares e incentivo ao uso de veículos elétricos. Durante o período diurno, parte da eletricidade tem sido gerada com petróleo bruto nacional e o aporte de fontes renováveis chegou a variar entre 49% e 51% da geração em alguns momentos do dia, segundo dados oficiais.

As autoridades reconheceram que essas ações reduziram parcialmente a frequência de interrupções no fornecimento, mas mantêm a dependência de combustível importado para serviços essenciais, como saúde, educação, transporte e distribuição de energia. O país relata que dezenas de milhares de pacientes aguardam cirurgias que não podem ser realizadas pela falta de eletricidade, incluindo um número significativo de crianças.

A deterioração do cenário foi marcada por aumento de apagões, alta nos preços de produtos básicos, corte de oferta no transporte público e redução da cesta básica subsidiada pelo Estado. A situação é mais crítica nas províncias do interior, onde as interrupções podem se estender por grande parte do dia.

O endurecimento das sanções insere-se em um contexto histórico de mais de seis décadas de embargo comercial dos Estados Unidos contra Cuba, iniciado logo após a Revolução de 1959. O novo pacote de restrições amplia as medidas econômicas que já afetam o acesso de Cuba a combustíveis e a mercados internacionais.

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