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sábado, março 14, 2026

Operação Contenção: mais dez policiais denunciados por crimes

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) apresentou mais duas denúncias contra dez policiais militares envolvidos na Operação Contenção, realizada nos complexos da Penha e do Alemão em 28 de outubro de 2025. Os agentes pertencem ao Batalhão de Ações com Cães (BAC) e são acusados de invasão de domicílios e de obstrução de câmeras corporais.

A 2ª Promotoria de Justiça aponta que as incursões nos imóveis ocorreram sem autorização judicial ou consentimento dos moradores. Conforme a peça acusatória, os policiais teriam usado chaves mestras, facões e chaves de fenda para abrir portas e, em alguns casos, consumido alimentos retirados de geladeiras. As imagens analisadas pelo MPRJ mostram ainda que agentes percorreram cômodos, vasculharam objetos e que tentativas de entrada em diversas residências não foram bem-sucedidas.

Na segunda denúncia, o MPRJ relata que cinco integrantes do mesmo grupo manusearam indevidamente as câmeras operacionais portáteis, desrespeitando ordem superior que determinava o uso obrigatório dos equipamentos. A análise das gravações aponta posicionamento inadequado dos aparelhos, de modo a impedir a visualização em diversos momentos.

Desde a ação e a consequente análise das imagens, o MPRJ já protocolou oito denúncias contra 19 policiais militares vinculados à Operação Contenção. Acusações anteriores abrangem apropriação de um fuzil encontrado no local, subtração de peças de veículo, invasões domiciliares, constrangimento de moradores e retirada de outros bens. Há também denúncias por obstrução ou desligamento de câmeras corporais.

Os processos serão julgados pela Auditoria Militar.

Letalidade e apreensões

A operação, considerada a mais letal da história do estado, deixou 122 mortos, entre eles cinco policiais. A ação mobilizou cerca de 2,5 mil agentes e resultou em 113 prisões, das quais 33 eram de pessoas oriundas de fora do Rio de Janeiro.

Foram apreendidas 118 armas e aproximadamente uma tonelada de drogas.

Repercussões e investigação internacional

Moradores, familiares das vítimas e organizações de direitos humanos denunciaram a operação como uma chacina e reuniram corpos com sinais de execução em um ponto do Complexo do Alemão, após recolhimento em áreas de mata ao redor da região.

O governo do estado classificou a operação como bem-sucedida. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) tratou do caso em audiência realizada na quarta-feira (11) com o objetivo de emitir recomendações ao Brasil. A CIDH já havia criticado a Contenção por não reduzir a criminalidade e por aumentar riscos à população civil.

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