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terça-feira, março 17, 2026

Petro insinua que o Equador lançou bombas na Colômbia; Noboa nega ação

Os atritos entre Colômbia e Equador se intensificaram após o presidente colombiano, Gustavo Petro, afirmar que artefatos explosivos teriam sido lançados a partir do território equatoriano. Petro pediu investigação sobre o episódio e informou ter comunicado o presidente dos Estados Unidos, segundo relatos oficiais do governo colombiano. A declaração foi feita em reunião ministerial em Bogotá na segunda-feira (16).

Na terça-feira (17), o presidente do Equador, Daniel Noboa, negou ter realizado operações em solo colombiano e afirmou que as ações militares equatorianas ocorrem apenas dentro de seu território. O governo equatoriano também acusou autoridades colombianas de permitir a presença de grupos ligados ao narcotráfico que teriam servido de abrigo para ações contra o Equador.

O episódio amplia um quadro de deterioração nas relações bilaterais que já vinha se agravando desde o início de fevereiro, quando Quito aplicou um aumento de 30% nas tarifas de importação sobre produtos colombianos, medida justificada como resposta à fragilidade do controle fronteiriço colombiano. Em retaliação, a Colômbia suspendeu o fornecimento de energia elétrica ao Equador e instituiu imposto de 30% sobre cerca de 70 produtos provenientes do país vizinho.

No plano de segurança, o Equador tem aprofundado a cooperação com os Estados Unidos com foco no combate ao narcotráfico, alinhando-se à abordagem de Washington que classifica organizações criminosas como ameaças transnacionais. O governo equatoriano submeteu à população uma consulta sobre a instalação de uma base militar estrangeira, proposta que foi rejeitada por aproximadamente 60% dos votos. Na semana passada, Quito abriu a primeira sede oficial do FBI no país e firmou acordos para operações conjuntas com os EUA, ao mesmo tempo em que decretou estados de emergência e toque de recolher em áreas afetadas pela violência.

Também na semana passada, o Tribunal Eleitoral do Equador suspendeu por nove meses o registro do partido Revolução Cidadã, ligado ao ex-presidente Rafael Correa, em meio a uma investigação por suposta lavagem de dinheiro. A medida pode prejudicar a participação do partido nas eleições locais de 2027. A ex-candidata Luisa González, do mesmo partido, está sob investigação por suposta recepção de recursos do exterior.

A escalada diplomática ocorre em um contexto regional de aproximação militar entre os EUA e vários países da América Latina, justificada por Washington como necessária para combater cartéis de drogas e reduzir a influência econômica de potências como China e Rússia. Essas iniciativas foram reiteradas na Estratégia de Segurança Nacional dos EUA anunciada em dezembro, que reforça a prioridade norte-americana na região. Autoridades americanas sinalizaram disposição de intensificar ações de segurança na região, se consideradas necessárias para enfrentar as organizações criminosas.

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