A confirmação de um caso de sarampo em uma bebê de seis meses em São Paulo reacendeu o alerta sobre a necessidade de manter altas coberturas vacinais para proteger quem ainda não pode ser imunizado.
A criança não tinha idade para receber a primeira dose da tríplice viral, prevista pelo calendário do SUS aos 12 meses. A segunda aplicação, na forma da tetra viral, é recomendada aos 15 meses e inclui proteção contra a catapora.
Altas taxas de vacinação criam barreira coletiva que protege lactentes e pessoas que não podem ser vacinadas. A vacina do sarampo também reduz a infecção e limita a transmissão do vírus, contribuindo para a interrupção da circulação do agente.
O caso em São Paulo envolveu viagem da família à Bolívia em janeiro. A Bolívia registra surto de sarampo desde o ano anterior, e episódios importados representam risco de provocar novos surtos locais quando a cobertura vacinal é insuficiente.
Em 2024, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) concedeu ao Brasil o certificado de área livre de transmissão sustentada do sarampo. No entanto, em 2019 o país havia perdido esse status após surtos iniciados por casos importados. No ano passado foram confirmados 38 casos de sarampo no Brasil, a maioria de origem importada. O episódio em São Paulo foi o primeiro registrado no país neste ano.
Dados de cobertura vacinal mostram que, no ano passado, 92,5% dos bebês receberam a primeira dose, enquanto 77,9% completaram o esquema na idade recomendada.
Recomendações de vacinação: pessoas de 5 a 29 anos devem receber duas doses, com intervalo de um mês entre elas. Pessoas de 30 a 59 anos precisam de uma dose. A vacina é contraindicada para gestantes e indivíduos imunocomprometidos.
O continente americano enfrenta aumento de casos. Em 2025 foram registrados 14.891 casos de sarampo em 14 países, com 29 mortes. Até 5 de março deste ano foram confirmadas 7.145 infecções, quase metade do total do ano anterior em apenas dois meses. México, Estados Unidos e Guatemala concentram os maiores surtos.
O sarampo é altamente transmissível, sobretudo entre não vacinados. Em surtos, a mortalidade costuma ficar em torno de um óbito a cada mil casos, embora proporções maiores já tenham sido observadas. As complicações mais frequentes incluem pneumonia e manifestações neurológicas como encefalite.
Os sintomas típicos são erupção cutânea com febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e mal-estar. A infecção também provoca supressão temporária do sistema imunológico, que pode durar de três a seis meses, aumentando a suscetibilidade a outras doenças infecciosas.
Diante do cenário, autoridades de saúde reforçam a importância de manter a vacinação em dia para evitar a circulação do vírus e proteger grupos vulneráveis.




