O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano. A decisão foi avaliada por diferentes segmentos da economia como um sinal de início do ciclo de afrouxamento, mas amplamente considerado insuficiente para remover os principais entraves ao crescimento.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontou que o corte, na magnitude anunciada, não será capaz de deter a desaceleração da atividade, destravar investimentos nem aliviar o endividamento das famílias. A entidade destacou que a inflação acumulada em 12 meses tem desacelerado e as projeções seguem dentro da meta, enquanto a taxa de juros real permanece elevada, acima do nível considerado neutro, o que, segundo a CNI, indica manutenção de uma política monetária excessivamente restritiva.
A Fecomércio-SP avaliou que o início do ciclo de queda ocorreu em um contexto de incertezas internas e externas, o que limitou a intensidade do corte. A federação observou ainda que a inflação de serviços continua pressionada e que a elevação do preço do petróleo no mercado internacional tende a dificultar uma redução mais acelerada da taxa básica.
No plano externo, o confronto envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel elevou os preços do petróleo e ampliou riscos inflacionários globais. Diante desse cenário, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) considerou que o Banco Central adotou postura prudente, agravada pela desaceleração da atividade econômica, o que justificaria uma política menos contracionista, porém cautelosa.
Organizações sindicais também classificaram o corte como insuficiente. A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT e o Dieese avaliaram que a medida não reduz de forma significativa o peso das dívidas dos trabalhadores. A Força Sindical afirmou que, embora o início do ciclo seja positivo, a magnitude do corte não é suficiente para estimular o consumo, gerar empregos de qualidade e favorecer as negociações salariais previstas para este semestre.
Há consenso entre indústria, comércio e centrais sindicais de que o ritmo das próximas decisões do Copom será determinante. Para esses setores, reduções mais intensas da Selic são vistas como essenciais para reativar o crescimento, estimular investimentos e aliviar o endividamento das famílias e das empresas.




