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quarta-feira, março 25, 2026

Uma em cada quatro estudantes adolescentes já foi vítima de violência sexual

Um quarto das estudantes adolescentes do Brasil relatou ter sofrido alguma forma de violência sexual, como toques, beijos forçados ou exposição de partes íntimas sem consentimento. O dado consta da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe), divulgada nesta quarta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Foram entrevistados 118.099 adolescentes de 13 a 17 anos, matriculados em 4.167 escolas públicas e privadas em 2024. Em comparação com 2019, o percentual de meninas que relataram esses tipos de violência subiu 5,9 pontos percentuais.

A pesquisa aponta que 11,7% das estudantes disseram ter sido forçadas ou intimidadas a ter relações sexuais, aumento de 2,9 pontos percentuais em relação a 2019. Ambos os gêneros relataram episódios de abuso, totalizando mais de 2,2 milhões de vítimas de assédio e 1,1 milhão de casos de relações forçadas. Em média, a proporção entre meninas é o dobro da observada entre meninos.

Embora atos enquadrados como estupro pela legislação brasileira tenham sido investigados, o IBGE separou as perguntas em duas categorias para facilitar a compreensão dos adolescentes durante as entrevistas.

Idade e contexto escolar
As situações classificadas como assédio sexual foram mais frequentemente relatadas por adolescentes de 16 e 17 anos. Entre as vítimas de relações forçadas, 66,2% tinham 13 anos ou menos quando sofreram a violência.

A prevalência foi maior entre alunos da rede pública: 9,3% relataram ter sido intimidados ou forçados a manter relação sexual, contra 5,7% na rede privada. Na categoria de assédio sexual, a proporção entre redes pública e privada foi semelhante.

Perfil dos agressores
No caso de relações sexuais forçadas, a maioria dos agressores fazia parte do círculo íntimo das vítimas: 8,9% foram cometidas por pai, padrasto, mãe ou madrasta; 26,6% por outros familiares; 22,6% por namorado ou ex-namorado; e 16,2% por amigos.

Para toques não consentidos, beijos forçados ou exposição de partes íntimas, as categorias mais citadas foram “outro conhecido” (24,6%), outros familiares (24,4%) e desconhecidos (24%). Os entrevistados podiam assinalar mais de uma opção, e o somatório superior a 100% indica ocorrência repetida ou agressões por diferentes pessoas.

Gravidez precoce e prevenção
Cerca de 121 mil meninas de 13 a 17 anos já tiveram gravidez em algum momento, equivalente a 7,3% das que declararam ter iniciado a vida sexual. Desse total, 98,7% eram estudantes da rede pública.

Em cinco estados o índice de gravidez precoce supera 10%: Paraíba, Ceará, Pará, Maranhão e Amazonas, este último com 14,2% das estudantes afetadas.

Quanto ao uso de proteção, 61,7% dos entrevistados afirmaram ter usado camisinha na primeira relação sexual; na relação mais recente, a proporção caiu para 57,2%. Entre os que adotam outros métodos contraceptivos, 51,1% utilizam pílula anticoncepcional e 11,7% recorreram à pílula do dia seguinte. Além disso, quatro em cada dez meninas já fizeram uso da pílula do dia seguinte ao menos uma vez.

Início da vida sexual
A pesquisa indica um início mais tardio da vida sexual em comparação com 2019: 30,4% dos estudantes de 13 a 17 anos já haviam tido ao menos uma relação, 5 pontos percentuais a menos que na pesquisa anterior.

A proporção é de 20,7% entre alunos de 13 a 15 anos e de 47,5% entre os de 16 e 17 anos. Entre quem já iniciou a vida sexual, 36,8% tiveram a primeira relação com 13 anos ou menos. A idade média de início foi estimada em 13,3 anos para os meninos e 14,3 anos para as meninas. No Brasil, a idade mínima para consentimento legal é 14 anos, e relações com pessoas mais novas podem configurar estupro de vulnerável.

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