Estudantes ocuparam na tarde desta quarta-feira (25) a sede da Secretaria Estadual da Educação, na Praça da República, no centro de São Paulo, em protesto contra políticas educacionais do governo estadual. A ação foi organizada pela União Paulista dos Estudantes Secundaristas (UPES), com apoio da UBES, UNE e UEE-SP.
A mobilização foi transmitida ao vivo pelas redes das entidades. Durante a madrugada, a Polícia Militar foi acionada para desocupar o prédio e utilizou spray de pimenta para retirar os manifestantes.
Segundo nota da Secretaria de Segurança Pública, havia 21 pessoas no local, entre adultos e menores. A corporação afirma que houve tentativas de negociação sem sucesso e que, após a retirada, os presentes foram conduzidos ao 2º Distrito Policial, no Bom Retiro, onde prestaram depoimento e foram liberados. Não houve registro de feridos, de acordo com a PM.
As principais pautas do movimento incluíam a recomposição orçamentária da educação. As entidades organizadoras afirmam que, desde 2024, o percentual mínimo obrigatório de investimento na área foi reduzido, o que representaria uma retirada de cerca de R$ 11,3 bilhões do orçamento estadual.
Os estudantes também reivindicaram a realização de reunião com o secretário de Educação, Renato Feder, e a suspensão da implementação do programa de escolas cívico-militares no estado. Outras demandas citadas incluem críticas à plataformação do ensino, a retomada do ensino noturno e uma reorganização escolar alinhada às realidades das comunidades.
A Secretaria da Educação informou, por nota, que o governo se declara comprometido com o diálogo e que o secretário Renato Feder aguardava representantes da UPES desde 19 de maio para uma reunião. A pasta acrescentou que um encontro previamente agendado foi cancelado a pedido do grupo e que uma nova audiência foi marcada para sexta-feira (27), antes da ocupação.
Sobre as escolas cívico-militares, a secretaria destacou que o modelo está presente em 100 unidades dentro de um universo superior a 5,3 mil escolas da rede estadual, e que a implantação teria ocorrido após consultas públicas nas comunidades escolares. A pasta também informou ter realizado investimento de R$ 3,1 bilhões em 6.764 obras entre 2023 e 2026, número que, segundo a secretaria, supera em 3,7 vezes o volume da gestão anterior.




