O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu nesta quinta-feira (26) que o Irã considere seriamente uma proposta americana para encerrar quase quatro semanas de combates, enquanto o governo de Teerã afirma estar avaliando a oferta, mas nega que haja negociações para pôr fim à guerra.
O conflito já gera impacto econômico e humanitário, com escassez de combustível afetando mercados globais e forçando empresas e países a tomar medidas para limitar os prejuízos.
Fontes oficiais indicam que há trocas indiretas de mensagens entre EUA e Irã por intermédio do Paquistão. Outros países, como Turquia e Egito, também atuam como mediadores nos contatos.
O ministério das Relações Exteriores do Irã informou que as mensagens recebidas via países amigos estão sendo analisadas, mas afirmou que isso não equivale a um processo de negociação formal. A posição declarada de Teerã segue sendo a de defesa e resistência, sem intenção imediata de negociar.
Trump publicou declarações na rede social Truth Social em que descreveu a situação militar do Irã como desfavorável e cobrou uma resposta rápida à proposta americana, advertindo para consequências caso o acordo não seja aceito.
Segundo relatos de fontes regionais, os Estados Unidos enviaram ao Irã, por meio do Paquistão, uma proposta em 15 pontos para encerrar o conflito. O documento incluiria exigências como o desmantelamento do programa nuclear iraniano, restrições ao desenvolvimento de mísseis e a transferência efetiva do controle do Estreito de Ormuz.
Por sua vez, o Irã teria endurecido demandas desde o início das hostilidades, pedindo garantias contra novas ações militares, compensações por perdas e um reconhecimento formal do controle do Estreito. Intermediários também registraram a exigência iraniana de que o Líbano seja contemplado em qualquer acordo de cessar-fogo.
Trump não especificou interlocutores iranianos. Autoridades apontam que muitos quadros de alto escalão foram mortos desde ataques que envolveram Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro, numa onda de violência que deixou milhares de mortos em vários pontos do Oriente Médio.
Na quinta-feira, o Irã lançou várias ondas de mísseis contra alvos em Israel, provocando sirenes de ataque aéreo em Tel Aviv e outras localidades. Autoridades israelenses registraram ao menos cinco feridos.
No território iraniano, relatos indicam que foguetes atingiram uma área residencial em Bandar Abbas e um vilarejo nos arredores de Shiraz, onde dois adolescentes foram mortos, segundo a agência iraniana Tasnim. Há também informações de um impacto em prédio universitário em Isfahan.
Autoridades de Israel afirmaram ter eliminado o comandante naval da Guarda Revolucionária do Irã e seguem com outros alvos sob vigilância, em ações voltadas a reduzir capacidades militares iranianas. Em paralelo, fontes paquistanesas relataram que Islamabad pediu a Washington que pressione Israel a não atacar possíveis interlocutores iranianos; em resposta, nomes como o do chefe da diplomacia iraniana e do presidente do Parlamento foram retirados de listas de alvos.
Fontes de defesa israelenses disseram ainda haver ceticismo sobre a disposição do Irã de aceitar os termos propostos pelos EUA e preocupação com eventuais concessões por parte dos negociadores americanos.




