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segunda-feira, abril 6, 2026

Em Campo Grande, posto que liderava emissões se transforma em referência no atendimento a pessoas com autismo

No centro de Campo Grande, o posto de identificação instalado no Pátio Central — considerado o mais movimentado do Estado — completa um ano como referência em atendimento adaptado para pessoas com transtorno do espectro autista (TEA). A unidade, batizada de “Posto Amigo do Autista”, amplia o acesso à documentação civil ao incorporar práticas sensíveis às necessidades desse público.

Desde janeiro de 2024, o posto é responsável por cerca de 20% das Carteiras de Identidade Nacional (CIN) emitidas com o símbolo do TEA em Mato Grosso do Sul. Em números absolutos, foram 1.098 documentos entregues até o fim de março deste ano.

Vinculada ao Instituto de Identificação, que integra a Polícia Científica de Mato Grosso do Sul, a unidade também lidera o volume total de emissões. Desde a implantação da nova CIN, o posto já expediu mais de 134 mil documentos, o que representa quase um quinto da produção estadual. A demanda média é de cerca de 500 atendimentos diários.

A sala adaptada foi criada após identificação de obstáculos frequentes no atendimento tradicional, como sobrecarga sensorial, dificuldade de permanência e interrupções na coleta biométrica. O espaço foi projetado para reduzir estímulos e tornar o ambiente mais previsível, com isolamento acústico, recursos táteis e elementos de conforto, facilitando a conclusão do procedimento.

O projeto foi viabilizado por contrato de gestão com a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) de Mato Grosso do Sul, com investimento de R$ 82 mil. Além das adequações físicas, incluiu capacitação das equipes responsáveis pelo atendimento.

Na prática, a medida reduziu a necessidade de remarcações e de atendimentos domiciliares, casos que antes eram mais frequentes. A combinação de ambiente controlado e servidores treinados diminui a ansiedade dos usuários e aumenta a taxa de finalização dos processos, etapa fundamental para o exercício da cidadania.

Do ponto de vista da gestão pública, a iniciativa vai além de uma ação pontual. Ela se alinha a princípios de inclusão e de garantia de direitos, ao remover barreiras sensoriais e estruturais que poderiam impedir o acesso a um documento básico. Também amplia o papel do Instituto de Identificação e da Polícia Científica como agentes de inclusão.

A experiência do Pátio Central insere-se em um movimento mais amplo de personalização do atendimento no serviço público, que reconhece que igualdade não é sinônimo de tratamento idêntico para todos. Em Mato Grosso do Sul, mais de 13 mil documentos já foram emitidos com algum tipo de identificação de deficiência, sendo o TEA a condição mais frequentemente registrada.

Para gestores e especialistas, o caso do Posto Amigo do Autista aponta um caminho claro: investir em infraestrutura, formação de pessoal e escuta ativa para transformar o serviço público em um instrumento efetivo de cidadania. Para muitas famílias, a emissão de um documento representa pertencimento, reconhecimento e acesso a direitos, reforçando a relevância da iniciativa.

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