O Banco Mundial reduziu a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil para 2026, de 2% para 1,6%. A revisão consta do relatório Panorama Econômico da América Latina e o Caribe, divulgado em Washington nesta quarta-feira (8).
O documento atribui a desaceleração a fatores externos, como o choque nos preços do petróleo, e a elementos domésticos, incluindo o alto nível de endividamento das famílias. Em Brasília, o governo analisa medidas que permitam o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para ajudar trabalhadores a quitar dívidas.
A projeção do Banco Mundial está em linha com a do Banco Central, mas abaixo da mediana do mercado — refletida no boletim Focus, que estima crescimento de 1,85% — e também inferior à previsão do Ministério da Fazenda, de 2,3%.
Para a América Latina como um todo, a entidade revisou a expansão prevista de 2,3% para 2,1%. O relatório cita o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã como um dos desencadeadores do aumento dos preços do petróleo, por reduzir oferta em países do Golfo e criar problemas logísticos no Estreito de Ormuz. Esse choque pressionou os preços internacionais e tende a tornar os bancos centrais mais cautelosos na redução de juros.
Taxas de juros elevadas, usadas para combater a inflação, exercem efeito de freio sobre a atividade econômica ao encarecer o crédito e impor pressão sobre as contas públicas, segundo a avaliação técnica do relatório, o que motivou o rebaixamento das previsões.
No ranking regional, o Brasil aparece na 22ª posição entre 29 países da América Latina e Caribe. A liderança é da Guiana, cujo crescimento projetado para 2026 é de 16,3%, impulsionado pela exploração de petróleo na chamada Margem Equatorial. A Guiana registrou avanço de 15,4% em 2025 e a estimativa para 2027 é de 23,5%; devido à magnitude desses números, o Banco Mundial excluiu o país do cálculo agregado da região.
O relatório também destaca pontos fortes do Brasil em setores específicos. No campo industrial, a Embraer é citada como referência na aviação. Na agropecuária, o texto ressalta o papel da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) na incorporação de pesquisa científica, experimentação descentralizada e formação de capital humano, fatores que contribuíram para ganhos persistentes de produtividade além do apoio estatal direto.




