Multidões saíram às ruas de várias cidades do Irã nesta quinta-feira (9) para marcar o 40º dia do assassinato do Líder Supremo Seyyed Ali Khamenei, morto em um bombardeio atribuído a Israel e aos Estados Unidos no primeiro dia da guerra.
A imprensa iraniana fez ampla cobertura das cerimônias, que também homenagearam altos dirigentes políticos e militares mortos desde o início do conflito, além das 168 meninas que morreram no ataque à escola de Minab.
Mídia estatal informou que a procissão em Teerã partiu da Praça Jomhouri e seguiu até o local onde Khamenei foi atacado. As homenagens foram registradas em centenas de cidades e a cerimônia na capital se estendeu até a noite. Vídeos divulgados por emissoras locais mostraram milhares de pessoas marchando com bandeiras nacionais e imagens de líderes e vítimas.
A Organização de Medicina Forense do Irã divulgou nesta quinta que mais de 3 mil pessoas morreram em ataques israelenses e estadunidenses durante a guerra, e que cerca de 40% dos corpos ainda não foram identificados.
Protestos contra a agressão atribuída a Israel e aos EUA continuaram a ocorrer durante todo o conflito, inclusive sob bombardeios. No dia do ultimato do então presidente dos Estados Unidos, grupos chegaram a ocupar ruas para proteger instalações elétricas e outros pontos considerados potenciais alvos.
Após o assassinato de Ali Khamenei, seu filho Mojtaba Khamenei foi empossado como Líder Supremo e anunciou intenção de retaliar os responsáveis pelo ataque que matou o pai e outros familiares.
Autoridades iranianas informaram que Khamenei teria recusado abrigos subterrâneos e optado pelo que classificaram como caminho do martírio. O ataque atingiu o escritório situado na residência do líder. Na tradição político-religiosa xiita, o martírio é associado a honra.
No Irã, o cargo de Líder Supremo é escolhido pela Assembleia dos Especialistas, composta por 88 clérigos eleitos por voto popular. Embora seja um mandato vitalício, a Constituição prevê a possibilidade de destituição pelo mesmo órgão.
Ali Khamenei ocupava a posição de Líder Supremo havia 36 anos, no topo da estrutura de poder da República Islâmica, que inclui Executivo, Parlamento e Judiciário, além do Conselho dos Guardiões. Este conselho é formado por 12 membros — seis indicados pelo Líder Supremo e seis indicados pelo Parlamento.
O Líder Supremo atua como um poder moderador no país. As Forças Armadas respondem diretamente a ele, e não ao Executivo.
A República Islâmica do Irã foi estabelecida em 1979, após a revolução que depôs a dinastia Pahlavi e encerrou 54 anos de monarquia, marco que também intensificou as hostilidades com potências ocidentais, em especial os Estados Unidos.




