Como parte da campanha Abril Verde 2026, a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES) promoveu nesta terça-feira (7), em Campo Grande, o seminário “Acidentes no Trânsito Relacionados ao Trabalho: Vigilância, Prevenção e Proteção da Vida do Trabalhador e da Trabalhadora”.
O encontro ocorreu no auditório do CREA-MS e reuniu cerca de 150 participantes, entre gestores, profissionais de saúde, representantes de instituições públicas e privadas, trabalhadores do transporte e logística e integrantes do controle social.
Dados do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST) Estadual apontam que aproximadamente 40% dos acidentes de trabalho identificados por monitoramento da mídia estão relacionados ao trânsito, evidenciando a dimensão do problema em Mato Grosso do Sul.
O seminário teve caráter intersetorial e tratou determinantes, causas e consequências dos acidentes de trânsito associados ao trabalho. Foram discutidas ações de vigilância, prevenção e proteção da saúde ocupacional.
Como encaminhamento, ficou prevista a constituição de uma comissão para fortalecer a Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora no estado, com foco no aprimoramento das estratégias de vigilância e prevenção.
O evento destacou o impacto socioeconômico desses acidentes, incluindo custos para o Sistema Único de Saúde (SUS), para a previdência social, para empresas e para as famílias das vítimas.
O tema foi tratado como prioridade de saúde pública, alinhado a metas de desenvolvimento sustentável que visam reduzir lesões e mortes no trânsito. A articulação entre setores foi apresentada como essencial para reduzir óbitos e sequelas graves.
No diagnóstico apresentado, foi observado que o transporte é atividade econômica estratégica em Mato Grosso do Sul, o que contribui para o aumento de ocorrências tanto em áreas urbanas quanto em rodovias. Também foram apontados dois tipos de ocorrência: acidentes típicos, ocorridos durante o exercício da função, e acidentes de trajeto, entre casa e trabalho, muitas vezes não reconhecidos como acidente de trabalho.
Grupos com maior exposição identificados no seminário incluem motoentregadores, motoboys e motoristas de caminhão. Foi ressaltado ainda que obras de infraestrutura e corredores logísticos, como o Corredor Bioceânico, podem ampliar o fluxo de veículos e elevar os riscos, incluindo a circulação de motoristas de outros países.
A programação contou com palestras, apresentação de dados epidemiológicos, painéis temáticos e debates intersetoriais envolvendo áreas de saúde, trânsito, transporte e segurança pública. Entre os objetivos estão o fortalecimento da notificação de acidentes, a integração institucional e a construção de estratégias mais eficazes de prevenção para proteger a vida dos trabalhadores.




