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sábado, abril 11, 2026

Especialistas alertam: vírus sincicial representa risco para idosos

O vírus sincicial respiratório (VSR) tem ganhado destaque nas estatísticas de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) no Brasil e preocupa autoridades de saúde. No primeiro trimestre de 2025, 18% dos casos de SRAG com identificação viral confirmada foram atribuídos ao VSR, segundo dados do Ministério da Saúde.

Relatórios da Fiocruz indicam aumento da participação do VSR ao longo do ano: de fevereiro a março o vírus respondeu por 14% dos casos com vírus identificado; entre março e abril esse percentual subiu para 19,9%. Em 2025, o VSR foi o agente viral mais prevalente por 23 semanas consecutivas, entre março e agosto.

Levantamentos de laboratórios privados mostram tendência similar em pacientes com quadros leves e graves. Na semana encerrada em 4 de abril, 38% dos testes positivos para algum vírus apontaram VSR, proporção 12 pontos percentuais superior à da primeira semana de março, conforme dados compilados pelo Instituto Todos pela Saúde.

Falhas na testagem e diferenças de detecção influenciam as estatísticas. Dos cerca de 27,6 mil casos de SRAG registrados no primeiro trimestre, o agente causador foi identificado em apenas 9.079 casos — cerca de um terço do total — e quase 17% dos casos não chegaram a ser testados.

A carga da doença concentra-se em crianças pequenas. Entre janeiro e março foram registrados 1.651 casos graves de infecção por VSR, dos quais 1.342 afetaram menores de dois anos. Em contraste, apenas 46 casos graves foram confirmados em pessoas com mais de 50 anos no mesmo período.

Os óbitos por VSR também atingiram principalmente lactentes: foram 27 mortes no ano até o momento, sendo 17 em bebês de até 2 anos e sete entre idosos com 65 anos ou mais.

Dados apresentados em evento técnico apontaram associação elevada entre VSR e comorbidades. Mais de 60% dos casos graves relacionados ao vírus ocorreram em pacientes com doença cardiovascular. Estudos citados no encontro indicam que, em comparação com a influenza, o VSR em pacientes idosos está associado a 2,7 vezes mais risco de pneumonia e ao dobro de chance de necessidade de UTI, intubação e óbito.

Outros grupos de risco incluem pessoas com diabetes e portadores de doenças respiratórias crônicas, como asma grave e DPOC. Em pacientes com essas doenças, a internação em UTI aumenta substancialmente o risco de mortalidade nos anos seguintes e acelera a perda da função pulmonar, segundo dados apresentados.

A prevenção por vacinação ainda enfrenta limitações. Vacinas contra o VSR para adultos estão disponíveis apenas na rede privada. No Sistema Único de Saúde (SUS), a oferta atual contempla apenas a imunização de gestantes, cujo objetivo é proteger os recém-nascidos nos primeiros meses de vida. A Sociedade Brasileira de Imunizações recomenda a vacinação para pessoas de 50 a 69 anos com comorbidades e para todos os idosos a partir dos 70 anos.

Especialistas sugeriram que sociedades médicas submetam propostas de grupos prioritários à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), responsável por avaliar a adoção de novas vacinas e terapias no sistema público.

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