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sexta-feira, abril 17, 2026

Irã e Hezbollah afirmam que união do Eixo da Resistência garantiu o cessar-fogo

O governo do Irã e o grupo político-militar Hezbollah atribuíram o cessar-fogo no Líbano à união e à capacidade de combate do chamado Eixo da Resistência, formado por grupos contrários às políticas de Israel e dos Estados Unidos na região.

A Casa Branca vem tentando capitalizar o fim das hostilidades como resultado de sua atuação, enquanto autoridades iranianas haviam condicionado parte das negociações com Washington à implementação da trégua no Líbano. Após o término das batalhas, o Irã anunciou a reabertura do Estreito de Ormuz para embarcações comerciais.

O Hezbollah divulgou um balanço de operações: 2.184 ações militares em 45 dias de confronto, média de 49 operações por dia. Segundo o grupo, os ataques atingiram forças israelenses dentro do território libanês e alvos em Israel e nos territórios palestinos ocupados, em distâncias de até 160 quilômetros a partir da fronteira.

Representantes iranianos e do Hezbollah qualificaram a trégua como consequência da ação coordenada do Eixo da Resistência. O governo de Teerã também atribuiu o cessar-fogo a esforços diplomáticos que envolveram interlocuções regionais e internacionais, incluindo negociações realizadas em Islamabad, nas quais o país ressaltou a necessidade de uma paralisação simultânea dos combates em toda a região.

No lado israelense, o gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu vinha anunciando planos para ocupar o sul do Líbano até o rio Litani, cerca de 30 quilômetros da fronteira. Relatos indicam que, na véspera da trégua, foram dadas instruções para prosseguir com operações visando a cidade de Bent Jbel.

Fontes da imprensa israelense noticiaram surpresa entre ministros do governo com o anúncio do cessar-fogo. Também foi informado que Netanyahu teria concordado com a trégua a pedido dos Estados Unidos. A oposição criticou o que considerou um cessar-fogo imposto a Israel. Outro veículo israelense registrou que oficiais militares afirmaram que tropas permaneceriam no território libanês apesar da paralisação formal dos combates.

Contexto histórico e recente: a atual fase do conflito entre Israel e o Hezbollah teve início em outubro de 2023, quando o grupo xiita lançou ataques ao norte de Israel em reação aos acontecimentos na Faixa de Gaza. Em novembro de 2024 foi firmado um acordo de trégua entre o Hezbollah e Tel Aviv, que, segundo relatos, não foi plenamente respeitado por Israel, que manteve ações no Líbano.

Com a escalada de hostilidades envolvendo o Irã em fevereiro, o Hezbollah retomou ataques contra Israel, citando violações sistemáticas do cessar-fogo nos meses anteriores. Em 8 de abril houve anúncio de um cessar-fogo envolvendo o Irã, mas registros apontam que Israel continuou a bombardear alvos no Líbano, desrespeitando um acordo mediado pelo Paquistão. O Irã vinha condicionando a continuidade das negociações com os EUA à inclusão do Líbano na trégua; uma segunda rodada de conversas foi prevista para os dias seguintes.

Origem do confronto: o Hezbollah foi criado na década de 1980 em reação à invasão israelense do Líbano e à repressão a grupos palestinos que buscavam refúgio no país. Em 2000 o movimento contribuiu para a saída das forças israelenses do Líbano. Ao longo dos anos, o Hezbollah se consolidou também como partido político, com assentos no Parlamento e participação em governos. O Líbano foi alvo de ataques israelenses em 2006, 2009 e 2011.

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