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domingo, maio 3, 2026

Canetas que prometem emagrecimento reforçam a “economia moral da magreza”

O aumento do uso de medicamentos subcutâneos para emagrecimento — as chamadas “canetas emagrecedoras” — tem gerado debates sobre eficácia, segurança e regulamento de uso no Brasil.

Esses fármacos apresentam efeitos expressivos e receberam apoio de algumas sociedades médicas, mas também vêm sendo administrados sem acompanhamento profissional e por pessoas que não têm diagnóstico de obesidade, segundo levantamento apresentado em reportagem da TV Brasil.

O episódio “O boom das canetas emagrecedoras”, exibido pelo programa Caminhos da Reportagem na última segunda-feira (27), reuniu especialistas e pesquisas sobre o tema. Entre os pontos destacados estão mudanças no comportamento alimentar e riscos associados ao uso indiscriminado.

Pesquisa em processo de submissão apontou que algumas usuárias passaram a tratar a medicação como uma forma de suprimir a fome, chegando a descrevê-la como uma “vacina contra a fome”. O estudo identificou também práticas alimentares mais restritivas entre quem já utilizou as canetas, com relatos de aproveitamento de efeitos colaterais — como náusea e vômito — para reduzir o consumo de alimentos.

Os pesquisadores envolvidos alertam para a medicalização dos hábitos alimentares: alimentos e práticas cotidianas começam a ser vistos e geridos como intervenções médicas, em vez de elementos socioculturais. Em relatos colhidos pelo estudo, usuários passaram a tratar nutrientes e refeições de forma instrumental — por exemplo, focando unicamente em metas de proteína, ingestão de água e fibras — o que pode comprometer o prazer, o aspecto simbólico e a convivialidade das refeições.

Há preocupação ainda com impactos na saúde física e mental, especialmente entre jovens, público considerado mais vulnerável à pressão estética. Reportagens e observações do setor da moda também têm apontado retorno a padrões de magreza extrema em passarelas, o que alimenta o debate sobre influências culturais e comerciais.

Especialistas citados na matéria defendem maior fiscalização, acesso a acompanhamento profissional e campanhas públicas que tratem da alimentação como direito à saúde, com ênfase em práticas alimentares seguras e inclusivas.

O tema foi abordado no programa da TV Brasil, que reuniu entrevistas e estudos sobre as consequências médicas, sociais e culturais do fenômeno.

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