A Polícia Científica de Mato Grosso do Sul e a Polícia Penal realizaram, na quinta-feira passada (30), cerca de 300 coletas de material biológico na Penitenciária Estadual Masculina de Regime Fechado da Gameleira II, em Campo Grande. A ação foi coordenada pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) e integrou a Operação Codesul Perfil Genético, articulada entre Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Os procedimentos ocorreram com custodiados previamente selecionados, conforme os critérios previstos em lei. O objetivo foi obter perfis genéticos para inclusão no Banco Nacional de Perfis Genéticos, após análise laboratorial, validação técnica e cumprimento das normas da Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos.
Esse banco reúne informações genéticas de pessoas legalmente cadastradas e permite a comparação com vestígios biológicos encontrados em cenas de crime ou em vítimas. O cruzamento dessas informações pode ajudar a relacionar ocorrências, apontar possíveis autores e reforçar investigações com prova técnico-científica.
Em Mato Grosso do Sul, a Polícia Penal ficou responsável pela triagem, seleção e organização dos internos na unidade prisional. Já a Polícia Científica conduziu a coleta, a análise laboratorial, a validação e a gestão técnica dos perfis genéticos por meio do Instituto de Análises Laboratoriais Forenses (IALF).
Dados da Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos mostram que o Estado reúne 5.034 perfis na área criminal. Desse total, 4.081 são de condenados, o que representa cerca de 40% das 10.178 pessoas condenadas no sistema prisional estadual, conforme o Mapa Prisional da Agepen de dezembro de 2025.
A base também inclui 910 perfis obtidos a partir de vestígios, 39 de identificados criminalmente, três de coletas por determinação judicial e um de resto mortal identificado. Até novembro de 2025, o Estado contabilizava 88 investigações auxiliadas pela rede, com 46 coincidências entre vestígios e 13 entre vestígio e indivíduo cadastrado criminalmente.
No cenário nacional, o XXIII Relatório da Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos, com dados consolidados até 28 de novembro de 2025, aponta 272.275 perfis no Banco Nacional. O documento registra 11.251 coincidências confirmadas e 8.132 investigações apoiadas.
A operação na Gameleira II fez parte do esforço para ampliar a base genética usada em investigações criminais e na instrução processual, dentro dos critérios legais e técnicos que regulam o uso dessas informações.




