Os ministérios da Fazenda e do Meio Ambiente e Mudança do Clima lançaram nesta segunda-feira (25) a quinta edição do Leilão do Eco Invest Brasil. A iniciativa usa recursos públicos do Fundo Clima para estimular a entrada de capital privado, com foco em inovação tecnológica e aumento da competitividade da economia brasileira.
Nesta nova etapa, o governo criou mecanismos para aproximar empresas, universidades, centros de pesquisa, startups e investidores. O leilão também prevê a formação de seis Fundos de Inovação Eco Invest, que reunirão crédito corporativo e recursos não reembolsáveis voltados a pesquisa aplicada e empreendedorismo tecnológico.
A expectativa oficial é levantar até R$ 50 bilhões, o que pode tornar esta a maior edição do programa até agora. O desenho da operação combina recursos públicos e privados para ampliar a escala dos aportes em setores considerados estratégicos.
Os fundos devem apoiar cadeias ligadas à nova economia global, como fertilizantes verdes, combustíveis avançados, automação industrial com inteligência artificial, beneficiamento de minerais críticos, baterias e veículos elétricos, química verde, biomateriais e reaproveitamento de resíduos minerais e industriais. O governo também cita o SAF, combustível sustentável de aviação, entre as áreas que podem receber impulso.
Segundo o Ministério da Fazenda, o quinto leilão pode ser decisivo para ampliar a resiliência da economia brasileira em um cenário internacional marcado por tensões geopolíticas e pressão sobre o mercado de energia.
Além da inovação, o Eco Invest tem sido usado pelo governo como instrumento de financiamento da transição ecológica. O programa foi criado para atrair investimentos privados estrangeiros ao Plano de Transformação Ecológica e combina instrumentos financeiros, redução de riscos e captação de recursos de longo prazo.
Com quatro leilões já realizados, a iniciativa superou R$ 140 bilhões mobilizados e passou a contar com 13 instituições financeiras credenciadas. Com a nova rodada, o volume total pode se aproximar de R$ 200 bilhões, segundo estimativas do governo.
Na avaliação do Ministério do Meio Ambiente, o programa também pode gerar ganhos ambientais ao recuperar áreas degradadas e estimular atividades econômicas em regiões que passaram por processos de recomposição ambiental. Outro foco é agregar valor a minerais críticos e terras raras, reduzindo a dependência de exportações de commodities sem processamento.
Para esta quinta edição, o Tesouro Nacional vai aportar até R$ 2,5 bilhões. Desse total, R$ 1,5 bilhão será destinado aos fundos de inovação, com potencial de alavancagem de até quatro vezes, e até R$ 1 bilhão irá para a linha de crédito corporativo. O programa conta ainda com apoio técnico e financeiro do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
As linhas de crédito seguem o modelo adotado nas edições anteriores, com financiamento direto a empresas prontas para ampliar produção. Como contrapartida, os projetos contemplados terão de contratar iniciativas de pesquisa, desenvolvimento e inovação.
Nos leilões anteriores, os recursos foram direcionados à transição energética, à recuperação de terras degradadas e à bioeconomia. O quarto leilão, voltado à bioeconomia, ao turismo sustentável e à infraestrutura da Amazônia Legal, recebeu propostas de oito instituições financeiras e registrou demanda acima de R$ 7 bilhões em recursos catalíticos, com potencial de mobilizar mais de R$ 29 bilhões em investimentos.
Dessa rodada, foram homologados R$ 3,1 bilhões em capital catalítico na linha principal, com lances de ABC Brasil, Banco do Brasil, Bradesco e BTG Pactual. O montante deve viabilizar cerca de R$ 13,2 bilhões em investimentos totais, incluindo R$ 7,2 bilhões em captação internacional.
O maior volume foi destinado à infraestrutura, com mais de R$ 7,8 bilhões para a Amazônia Legal. A bioeconomia concentrou R$ 4,4 bilhões em projetos de bioindustrialização, sociobioeconomia e restauração produtiva. Já o turismo sustentável deve receber cerca de R$ 900 milhões para ações ligadas ao ecoturismo, unidades de conservação e turismo de base comunitária.




