O Ministério Público Federal pediu à Polícia Federal que investigue a contaminação de rios na Terra Indígena Waimiri Atroari, no Amazonas, após relatos de integrantes da Comunidade Indígena Kinja sobre mortandade de animais, mudança na cor e no cheiro da água e adoecimento de moradores.
Também foi solicitada ao Ibama uma perícia para avaliar os impactos da atividade minerária no igarapé Jacutinga e nos rios Tiaraju e Alalaú, localizados no território indígena, em Presidente Figueiredo, no interior do Amazonas. O órgão terá 30 dias para informar se cumpriu a requisição e apresentar os primeiros resultados das diligências.
Além disso, o MPF acionou a Agência Nacional de Mineração para realizar uma vistoria técnica na mineradora. A apuração busca esclarecer as atividades da Mineração Taboca na região e verificar possível relação com os problemas ambientais relatados pelas lideranças indígenas.
Os alertas surgiram a partir de exames contratados pela Associação Comunidade Waimiri Atroari. Os resultados apontaram altas concentrações de metais pesados nas águas dos rios Tiaraju e Alalaú e do igarapé Jacutinga. Segundo o laudo, o alumínio chegou a um nível 37 vezes acima do limite permitido pela legislação brasileira para rios e lagos. Também foram encontrados elevados índices de ferro e chumbo no fundo dos cursos d’água.
O Ibama já havia identificado, com base em imagens de satélite, indícios de que a lavra da Mineração Taboca pode estar avançando além dos limites autorizados pelas licenças ambientais, alcançando a borda física da Terra Indígena Waimiri Atroari.
No despacho que determinou as novas apurações, o MPF citou ainda a audiência pública realizada no fim de abril, quando indígenas contestaram os exames feitos pela própria mineradora. As lideranças sustentam que a empresa coleta água em pontos distantes das áreas mais afetadas por lama e rejeitos e defendem que as vistorias oficiais contem com acompanhamento de fiscais indígenas, que conhecem os locais mais críticos de poluição.
A Mineração Taboca nega responsabilidade pelos danos e afirma que os parâmetros de qualidade da água estão dentro da legislação. A empresa também atribui o excesso de lama à chuva fora do padrão registrada no início de abril.




